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Partido governista perde força na África do Sul

00:05 | 12/05/2019
CNA mantém maioria no Parlamento, mas perde eleitores. Pela primeira vez, legenda, que teve como maior ícone Nelson Mandela, não consegue alcançar 60% dos votos.Vinte e cinco anos após o fim do apartheid e o estabelecimento do Congresso Nacional Africano (CNA) como principal partido da África do Sul, a legenda conseguiu manter a maioria parlamentar, mas apresentou uma queda histórica de votos nas eleições deste ano, realizadas nesta quarta-feira (08/05). Pela primeira vez, o partido, que teve como maior ícone Nelson Mandela, não consegue alcançar 60% dos votos. Após apuração das urnas de cerca de 95% dos distritos eleitorais, o CNA havia obtido pouco menos de 58% nesta sexta-feira (10/05). Nas últimas eleições, de 2014, o partido tinha conseguido mais de 62%. O anúncio dos resultados oficiais é previsto para este sábado. O apoio cada vez menor para o CNA, que elegeu Cyril Ramaphosa como novo presidente do país há apenas um ano, representou, de certa forma, o sucesso de seus dois principais oponentes políticos, o Aliança Democrática (DA) e o Combatentes da Liberdade Econômica (EFF). A maior legenda da oposição, o liberal DA, porém, esperava um crescimento maior do que mostram os resultados. A agremiação chegou a cerca de 20%. Na eleição de 2014, o DA obteve nível parecido: 22% dos votos. Seu carismático líder negro Mmusi Maimane liderou uma campanha eleitoral difícil neste ano, concentrando-se em um eleitorado multiétnico, na esperança de garantir mais adeptos. Ele mirava os eleitores do CNA que estão fartos da política corrupta de seu partido nos últimos dez anos, sob a liderança do ex-presidente Jacob Zuma, que renunciou no ano passado. Mas alguns dos tradicionais eleitores brancos do DA mudaram seu voto para um velho mas ressurgente grupo ultraconservador: a Frente da Liberdade Plus (FF+). O partido obteve quase 3%, o que significa um crescimento, se comparado ao menos de 1% da última eleição. Sithembile Mbete, da Universidade de Pretória, não está muito surpresa com isso. "Quando você olha para o crescimento deles a partir de uma perspectiva numérica, pode-se ver o quanto cresceram. Tem a ver com o aumento do nacionalismo branco globalmente ", disse ela, em entrevista à DW. Mbete acredita que isso mostra como raça ainda é um fator importante quando as pessoas vão às urnas. "O DA perdeu parte de sua base central para partidos como o FF+, mas também ganhou alguns dos eleitores desiludidos do CNA. No entanto, eles não se beneficiaram do declínio do CNA, que beneficiou apenas o EFF", acrescenta. De acordo com Mbete, o DA esperava festejar as perdas do CNA. "Eles não o fizeram. Eles cresceram, mas não tiraram todas as vantagens disso." Parece que o DA não é mais o lar político de muitos eleitores brancos, enquanto o partido também fracassou em atrair muito mais eleitores negros. É aí que o EFF entra em jogo; partido defensor da reforma agrária sem compensação para os agricultores brancos e que oferece uma oposição mais radical à política do CNA, denunciando a corrupção profundamente enraizada do partido governista. O EFF pôde, assim, obter ganhos em comparação com cinco anos atrás, mas deve ficar com pouco mais de 10% – pouco diante dos 14% previsto por alguns antes da votação. Há outro fator crucial a considerar: o comparecimento às urnas foi de 65%, em vez dos 72% previstos. Este é um sinal da desilusão dos eleitores, segundo analistas. Olhando para a sociedade desigual da África do Sul, o analista político Makhosini Mgitywa acredita que os eleitores sul-africanos podem ter sido influenciados pelos esforços do CNA para se redimir. "O CNA elegeu um líder que não apenas fala sobre, mas também atua contra a corrupção", afirma. "As pessoas veem essas coisas e pensam: 'o CNA vai conseguir mudar'." Mgitywa acredita que o partido governista ainda tem muito trabalho pela frente. "Agora a chave está com Cyril Ramaphosa e o ministério que ele vai nomear." ______________ A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App | Instagram | Newsletter Autor: Martina Schwikowski (md)

Fonte: DW | dw-world.de

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