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EUA afirmam que russos impediram fuga de Maduro

00:11 | 02/05/2019
Sem apresentar evidências, secretário de Estado americano diz que líder venezuelano estava pronto para abandonar o país e partir para Cuba, mas Kremlin o convenceu a ficar. Maduro e Moscou rechaçam afirmação. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, afirmou nesta terça-feira (30/04) que o líder venezuelano Nicolás Maduro estava pronto para deixar o seu país nesta manhã, mas que desistiu após ser convencido pela Rússia a permanecer em Caracas. "Ele tinha um avião na pista, estava pronto para ir embora nesta manhã, e os russos indicaram que ele deveria ficar", disse Pompeo em entrevista concedida à rede de televisão CNN. Ele não apresentou provas que respaldassem a afirmação. Ao longo do dia, o regime chavista enfrentou um levante convocado pelo líder oposicionista Juan Guaidó, que foi reconhecido como presidente interino da Venezuela por cerca de 50 países. Em um vídeo divulgado durante a manhã, Guaidó afirmou que os militares venezuelanos haviam abandonado o regime e aderido ao movimento. No entanto, conforme as horas passaram, o regime reagiu, reprimindo manifestantes que saíram às ruas de Caracas. Logo também ficou claro que o movimento convocado por Guaidó só havia encontrado respaldo entre alguns militares de baixa patente, sem a adesão dos generais que efetivamente controlam as tropas militares do país. Enquanto Caracas era palco de confrontos, Maduro não fez aparições públicas, se limitando a publicar no Twitter uma mensagem na qual afirmou que os comandos militares permaneciam leais ao regime. Ele só reapareceu cerca de 15 horas após o anúncio de Guaidó. Em um pronunciamento na TV, Maduro chamou o levante de golpe e disse que os oposicionistas foram derrotados. Mas, de acordo com a Casa Branca, Maduro estava pronto para fugir para Havana quando o levante foi convocado. Questionado se os EUA garantiriam a segurança de Maduro caso o presidente da Venezuela fugisse para Cuba, Pompeo deixou no ar uma dúvida sobre se o avião poderia ser derrubado. "Maduro entende o que ocorreria se subir nesse avião", afirmou o secretário de Estado americano em tom de mistério, sem dar mais detalhes sobre o que isso significaria. O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, também alimentou nesta terça-feira especulações sobre a unidade do regime venezuelano. Segundo ele, membros do regime como o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, haviam se voltado contra Maduro e passado a negociar com a oposição, mas depois voltaram atrás. "Personalidades como o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, o presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, Maikel Moreno, e o comandante da Guarda de Honra Presidencial, Rafael Hernández Dala, todos eles concordaram que Maduro deve ir embora", disse Bolton a jornalistas na Casa Branca. O enviado especial dos Estados Unidos para a Venezuela, Elliott Abrams, também afirmou em outro evento com a imprensa que essas três importantes figuras do regime negociaram ao longo do último mês com a oposição sobre como restabelecer a democracia no país. No entanto, tanto Padrino quanto Moreno deram demonstrações de apoio a Maduro ao longo do dia. Padrino inclusive apareceu ao lado do líder venezuelano no pronunciamento transmitido pela TV estatal no início da noite. Maduro, por sua vez, desmentiu que tivesse a intenção de deixar o poder e refugiar-se em Cuba, como afirmou Pompeo. "Mike Pompeo disse que eu, Maduro, tinha um avião preparado para ir a Cuba, para fugir, e os russos desceram do avião e me proibiram de sair do país. Senhor Pompeo, por favor, que falta de seriedade", disse Maduro, durante o pronunciamento. Maduro ainda acusou os EUA e a Colômbia de apoiarem a revolta e disse que o presidente Donald Trump "não passa um dia sem se envolver" com a Venezuela. "Nos Estados Unidos da América não houve antes um governo tão louco como este", afirmou, se referindo a Trump. Nesta quarta-feira, o Ministério do Exterior russo rejeitou a afirmação de Washington de que teria convencido Maduro a não fugir do país, classificando tal alegação de parte de uma "guerra de informação". Por enquanto, Guaidó ainda tenta manter a pressão sobre Maduro. Ele convocou novos protestos para esta quarta-feira, feriado de 1° de maio, e fez um novo apelo para que os militares se juntem ao movimento. "Nós vamos continuar por toda a Venezuela, nós vamos estar nas ruas", disse Guaidó na noite de terça-feira. JPS/efe/ots ______________ A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App | Instagram | Newsletter

Fonte: DW | dw-world.de

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