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Austrália pretende usar petiscos envenenados para exterminar dois milhões de gatos até 2020

A medida gerou comoção de alguns setores da sociedade, mas o governo australiano afirma que essa é a única forma de garantir a sobrevivência de espécies nativas

13:28 | 27/04/2019
Mapa colaborativo indica as localidades com maior incidência de gatos ferais, que retomaram a vida selvagem.
Mapa colaborativo indica as localidades com maior incidência de gatos ferais, que retomaram a vida selvagem.(Foto: Reprodução/Feral Scan)

Austrália pretende exterminar dois milhões de gatos até 2020 usando petiscos envenenados. A medida se refere aos chamados gatos ferais, que retornaram a vida selvagem e ameaçam 142 espécies nativas do país, como alguns tipos de coelhos, pássaros e lagartos. As informações são do portal BBC.

O método utilizado, por meio de petiscos de carne envenenados, é considerado pelo governo australiano mais barato e efetivo que a morte por armas de fogo e armadilha, que demandam mais tempo, além de necessitar de uma equipe especializada. A distribuição é feita por meio de aviões e drones para atingir uma maior área.

Cada região do país, por sua vez, tem uma certa especificidade para o tipo de veneno empregado. Na Austrália Ocidental, o governo desenvolveu uma isca chamada "Eradicat", com uma toxina que reproduz o veneno encontrado em algumas plantas da região, ao qual as espécies nativas já desenvolveram certa resistência.

Já em outras regiões, como o Norte e o Leste, a toxina pode acabar matando também as espécies nativas. Então, o Departamento do Meio Ambiente desenvolveu outro tipo de veneno, o "Curiosity". O veneno é feito com uma cápsula rígida de plástico e aproveita a caracterísitica de alimentação dos gatos de não mastigar os alimentos, ao contrário das espécies nativas, que acabam mordendo a cápsula e rejeitando o plástico.

Para localizar os animais, o Departamento do Meio Ambiente da Austrália criou uma ferramenta online para mapear os animais de forma colaborativa. Os registros, que já ultrapassam seis mil casos, podem ser feitos por meio de um aplicativo para celular ou um site com mapa interativo.

Abaixo-assinados

Diante da adoção da medida, em 2015, foram criados abaixo-assinados para combatê-la. Um dos mais populares alcançou cerca de 30 mil assinatura, após o fato ganhar destaque na imprensa internacional. A petição recomenda que sejam adotadas outras posturas para fazer o controle da população de gatos, como armadilha e castração dos animais.

A atriz e ativista pelo direito dos animais Briggite Bardot também fez críticas públicas ao governo e escreveu uma carta ao ministro do Meio Ambiente australiano. "Esse genocídio animal é desumano e ridículo. Além de ser cruel, matar esses gatos é absolutamente inútil, já que o resto deles continuará se reproduzindo."

O governo defendeu que não seria viável fazer adotar uma postura diferente dessa devido a extensão de mais de sete milhões de quilômetros quadrados do território australiano. Ainda argumentou que seria ainda mais desumano permitir a morte de animais nativos pelos gatos.

Redação O POVO Online