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Novo apagão deixa quase toda a Venezuela às escuras

16:40 | 10/04/2019
Na véspera de novos protestos da oposição a Maduro, corte de luz afeta Caracas e 20 dos 23 estados do país. Governo não se manifesta sobre causas do blackout, o maior em uma semana.Grande parte da Venezuela ficou mais uma vez às escuras na noite desta terça-feira (09/04), na véspera de novos protestos convocados pelo opositor Juan Guaidó em favor da saída do presidente Nicolás Maduro do poder. O apagão, o maior em uma semana, teve início às 23h20 (horário local) e afetou Caracas e ao menos 20 dos 23 estados do país, de acordo com relatos de moradores nas redes sociais e veículos de imprensa. Pouco depois do corte, o site de monitoramento Netblock.org afirmou que a energia elétrica chegava a apenas 10% do território do país. Uma hora depois, a energia começou a voltar a Caracas. Nem o governo nem a estatal Corporação Elétrica Nacional (Corpoelec) explicaram as causas do apagão e o alcance dele. Por volta da 1h50 (horário local), a televisão estatal informou que o Estado Maior Elétrico, órgão criado para fazer frente à crise, estava "trabalhando no restabelecimento do serviço". Desde 7 de março, quando um corte massivo de luz paralisou o país por cinco dias, uma série de apagões ocorreram, afetando o abastecimento de água, o transporte e os serviços de telefonia e internet. Maduro atribui os cortes a ataques "eletromagnéticos, cibernéticos e físicos" contra a central hidroelétrica de Guri, que produz 80% da energia consumida no país, e acusa os Estados Unidos de estar por trás das falhas para gerar pânico na população. Embora não nessa magnitude, cortes elétricos são comuns na Venezuela há anos. A oposição e especialistas consideram que a causa é a deterioração da infraestrutura por falta de investimentos do governo e a imperícia técnica. Há alguns dias, o governo anunciou um plano de racionamento elétrico, inclusive em Caracas, depois que os apagões obrigaram Maduro a decretar feriados e suspender aulas. O novo apagão ocorre em meio a um plano de racionamento de energia, no qual o governo vem cortando a luz para milhões de cidadãos durante ao menos 18 horas por semana. O corte também ocorre em meio à disputa pelo poder entre Maduro e Guaidó, autoproclamado presidente interino e reconhecido por mais de 50 países, entre eles o Brasil. O chefe do Parlamento, de maioria opositora, convocou para esta quarta-feira um novo protesto em nível nacional com o lema "Não nos acostumaremos", como parte do plano para tirar Maduro do poder, instalar um governo de transição e convocar eleições livres. Na terça-feira, o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) aceitou um enviado de Guaidó como representante da Venezuela até que haja um novo pleito no país. A pedido de Washington, o Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta quarta-feira, em Nova York, para discutir o agravamento da situação da Venezuela. O país atravessa a maior crise de sua história moderna, com desabastecimento de medicamentos e hiperinflação que, segundo estima o Fundo Monetário Internacional (FMI), pode chegar a 10.000.000% em 2019. Segundo a ONU, quase um quarto dos 30 milhões de venezuelanos precisa de ajuda urgente. De acordo com a organização, 3,7 milhões sofrem de subnutrição, e ao menos 22% dos menores de cinco anos, de desnutrição crônica. Na terça-feira, durante uma reunião em Caracas com o diretor do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Peter Maurer, Maduro se mostrou aberto a receber assistência . "Ratificamos nossa disposição de estabelecer mecanismos de cooperação para a assistência e apoio internacional", escreveu o presidente no Twitter. O presidente nega que a Venezuela esteja enfrentando uma crise humanitária. LE/afp/efe ______________ A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App | Instagram | Newsletter

Fonte: DW | dw-world.de

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