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Oposicionistas protestam contra Maduro na Venezuela

00:01 | 07/04/2019
Manifestantes saem às ruas em várias cidades do país em apoio a Juan Guaidó e pedem fim do regime. Autodeclarado presidente anuncia encontro de lideranças mundiais. Em Caracas, chavistas se mobilizam a favor de Maduro.Convocados pelo líder oposicionista Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente do país em janeiro, milhares de manifestantes voltaram a protestar neste sábado (06/04) em várias cidades da Venezuela contra o regime de Nicolás Maduro. Em Caracas, chavistas se mobilizaram em apoio ao mandatário. Guaidó, reconhecido por dezenas de países como presidente interino, convocou seus apoiadores para se concentrarem em 358 pontos do território venezuelano como parte do início da "operação liberdade" – uma mobilização até o palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, em uma data ainda não definida, com a intenção de assumir o controle do governo venezuelano. "Aqui estamos e vamos seguir. Todos nas ruas para a fase definitiva para acabar com a usurpação", afirmou Guaidó aos manifestantes, convocando um novo protesto para a próxima quarta-feira. Guaidó anunciou ainda um "encontro mundial" de líderes no país para abordar a "emergência humanitária" e buscar possíveis soluções para a crise. O opositor não deu mais detalhes sobre esse encontro. Na capital, os oposicionistas pediam o fim da "usurpação" do poder por Maduro e caminharam até as proximidades da sede da estatal de energia, a Corporação Elétrica Nacional (Corpoelec), onde expressam sua rejeição aos apagões que estão se tornando rotineiros no país. A oposição afirma que a falta de energia que paralisou a Venezuela por ao menos 11 dias em março foi causada por negligência e corrupção na Corpoelec. Os apagões afetam também as comunicações e os sistemas de transporte e bancário do país, onde a maioria dos pagamentos é feita com cartão. Em Maracaibo, localizada a 700 quilômetros de Caracas, o protesto terminou em confronto com militares da Guarda Nacional Bolivariana (GNB). O conflito deixou 30 manifestantes feridos e ocorreu quando o grupo tentava se aproximar da sede local da Corpoelec. Durante os protestos na cidade, dois deputados opositores, Nora Bracho e Renzo Pietro, foram detidos. Pouco tempo depois, os dois foram soltos. Já milhares de chavistas manifestaram apoio a Maduro e marcharam até palácio presidencial. O grupo também protestou contra os apagões, acusando, porém, os Estados Unidos e a oposição de sabotagem no sistema de geração de energia elétrica. "Juntos, em permanente mobilização, vamos continuar defendendo a paz e a independência nacional. Chega de ingerências", afirmou Maduro em discurso aos chavistas. Há uma semana, um racionamento de energia está vigente na Venezuela. A medida afeta 20 estados, com exceção da capital, por quatro horas diariamente. A oposição, no entanto, denunciou cortes de energia de até 20 horas em algumas localidades. Culpando os EUA pelos blecautes, Maduro prometeu ainda modernizar o sistema para enfrentar os supostos ataques. G7 pede restabelecimento da democracia Depois de um encontro na França, os ministros do Exterior do G7 disseram neste sábado que é urgente restabelecer o respeito "total" da ordem democrática e constitucional na Venezuela e reivindicaram a organização, o mais rápido possível, de uma nova eleição presidencial "livre, transparente e crível". Os ministros dos Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Japão e Canadá reiteram o pedido para uma "transição democrática pacífica" de poder no país e expressaram preocupação com os "vários alertas críveis de graves afrontas aos direitos humanos e pela crescente crise econômica e suas repercussões humanitárias". No comunicado conjunto, que abordou a questão venezuelana, os chefes da diplomacia do G7 expressaram ainda preocupação "pelo desdobramento de forças militares russas, que corre o risco de agravar uma situação crítica". Dois aviões militares russos aterrissaram na Venezuela no fim de março. As aeronaves transportavam 99 militares e uma carga de 35 toneladas de equipamento militar. A Venezuela enfrenta numa grave crise econômica, social e política que se aprofundou no início deste ano, quando, em 10 de janeiro, Maduro tomou posse para um segundo mandato, após eleições que não foram reconhecidas pela oposição e pela maior parte da comunidade internacional. Dias depois, Guaidó se autoproclamou presidente interino com a intenção de convocar um novo pleito e foi reconhecido por mais de 50 países. CN/efe/lusa/afp ______________ A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App | Instagram | Newsletter

Fonte: DW | dw-world.de

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