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Putin ameaça EUA se mísseis forem instalados na UE

20:38 | 20/02/2019
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou na quarta-feira, 20, que responderá a qualquer instalação de armas nucleares americanas de alcance intermediário na Europa apontando seus "novos mísseis" contra os EUA e seus aliados.
Nos comentários mais duros que já fez a respeito de uma nova corrida armamentista, Putin disse que a Rússia não busca um confronto e não dará o primeiro passo na mobilização de mísseis em reação à decisão tomada por Washington, no mês passado, de se retirar de um tratado de controle de armas emblemático dos tempos da Guerra Fria.
No entanto, o presidente russo assegurou que a reação a qualquer mobilização dos americanos será "firme" e as autoridades dos EUA deveriam calcular os riscos antes de tomar uma atitude. "É direito deles pensarem como quiserem. Mas eles sabem contar? Tenho certeza que sabem. Deixe-os contar a velocidade e o alcance dos sistemas de armas que estamos desenvolvendo", disse Putin, em pronunciamento anual ao Parlamento da Rússia.
"A Rússia será forçada a criar e a instalar armas que podem ser usadas não somente contra os territórios a partir dos quais a ameaça direta se origina, mas também contra territórios onde as decisão são tomadas."
Alegando violações da Rússia, Washington comunicou este mês a suspensão de suas obrigações com o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, na sigla em inglês) e o início do processo de retirada do acordo, o que lhe possibilita desenvolver novos mísseis.
O pacto proibia os dois países de posicionarem mísseis terrestres de alcance curto e intermediário na Europa. O fim do tratado cria a perspectiva de uma nova corrida armamentista entre Washington e Moscou, que nega desrespeitar o acord.
As duas potências também se mostraram irritadas com relação à China e o INF. Como não signatária do pacto, Pequim é livre para aumentar seu arsenal e desenvolver armas que os antigos inimigos da Guerra Fria não conseguem.
Putin respondeu à medida dos EUA dizendo que a Rússia espelhará as ações americanas suspendendo suas próprias obrigações e deixando o pacto. No entanto, Putin, que já usou uma retórica beligerante para valorizar o impasse russo com o Ocidente e unir os cidadãos de seu país, não aumentou a aposta.
Ele não anunciou novas mobilizações de mísseis, dizendo que o dinheiro para novos sistemas deve vir do orçamento existente, e declarou que Moscou não instalará novos mísseis terrestres na Europa ou em outros lugares a menos que Washington o faça primeiro.
Popularidade
Menos de um ano após ser reeleito para um quarto mandado, o líder russo tem visto sua popularidade cair, efeito do aumento da idade para aposentadoria e uma alta do imposto sobre o valor agregado, que começou a valer em 1º de janeiro.
Uma retórica mais dura ligada à questão nuclear tem se tornado chave para a projeção de poder do Kremlin, além de uma tentativa de levar Washington à mesa de negociação.
O presidente russo também usou o discurso para anunciar que os testes de um veículo planador com capacidade nuclear e um drone subaquático foram concluídos e dois novos mísseis serão incluídos no arsenal do país ainda este ano. (Com agências internacionais)

Agência Estado

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