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Brasil montará força-tarefa em Roraima para enviar ajuda à Venezuela

22:23 | 19/02/2019
O porta-voz do presidente Jair Bolsonaro, Otávio do Rêgo Barros, afirmou ontem que o Brasil montará uma força-tarefa em Roraima, na fronteira com a Venezuela, para ajudar na entrega de ajuda humanitária enviada pelos EUA e em coordenação com a oposição venezuelana.
A ideia, segundo ele, é que os alimentos e remédios sejam recolhidos por caminhões venezuelanos, conduzidos por cidadãos venezuelanos, que cruzarão a fronteira para levar a ajuda. "A ideia inicial é a aproximação logística de Pacaraima. E aguardar nessas regiões a chegada dos caminhões conduzidos por venezuelanos direcionados pelo presidente Guaidó", disse Rêgo Barros.
Participam da força-tarefa a Casa Civil da Presidência da República, os ministérios da Defesa, da Agricultura, da Cidadania, da Saúde e do Gabinete de Segurança Institucional. "O Brasil se junta assim a esta importante iniciativa internacional de apoio ao governo de Juan Guaidó e ao povo venezuelano", disse ontem o Itamaraty, em nota. Uma reunião marcada para hoje, em Brasília, definirá os detalhes do planejamento da operação na fronteira.
A decisão do governo brasileiro foi tomada após reunião entre Bolsonaro e os presidentes do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli; do Senado, Davi Alcolumbre; da Câmara, Rodrigo Maia. Também participaram da reunião os ministros Fernando Azevedo (Defesa), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).
Roraima será o segundo ponto de envio de ajuda humanitária, ao lado de Cúcuta, na Colômbia. Um terceiro centro de envio seria organizado em Curaçau, nas Antilhas. Segundo Rêgo Barros, alimentos e remédios estarão disponíveis na capital de Roraima, Boa Vista, e em Pacaraima, cidade que faz fronteira com a venezuelana Santa Elena de Uairen.
O governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, rejeita a entrada de ajuda humanitária. O chavista bloqueou com contêineres de caminhão a Ponte de Tienditas, na fronteira com a Colômbia. De acordo com ele, os carregamentos americanos seriam um pretexto para os EUA promoverem uma intervenção na Venezuela.
Ontem, o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, reafirmou seu compromisso com o governo de Maduro e prometeu proteger a fronteira de "ameaças à integridade territorial venezuelana". "Não vão poder passar pela consciência do espírito patriótico pela força. Vão ter de passar por esses cadáveres", alertou Padrino.
O líder opositor Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino da Venezuela, diz que 300 mil venezuelanos precisam com urgência de comida e remédios. Guaidó, que foi reconhecido por mais de 50 países, tem usado o envio de ajuda humanitária para forçar setores do Exército a escolher entre o chavismo e o povo.
"As Forças Armadas permanecerão mobilizadas e alertas ao longo das fronteiras para evitar qualquer violação à integridade de seu território", disse.
Padrino ainda acusou o presidente americano, Donald Trump, de ser "arrogante" por pedir ao Exército venezuelano que aceite a anistia oferecida por Guaidó.
"Reiteramos nossa obediência, subordinação e lealdade", afirmou Padrino López.
"Aqui, temos presidente. Aqui, temos um comandante-chefe: Nicolás Maduro."
Nos últimos dias, Guaidó começou nas redes sociais uma campanha para que os generais que comandam as brigadas na fronteira atendam aos pedidos dos venezuelanos por comida e remédios. "Soldados, escutem a voz do povo", pediu Guaidó.
A crise econômica que atinge a Venezuela desde 2013 levou o país à hiperinflação, escassez de alimentos, remédios e de serviços básicos, como água e luz. A queda do preço do petróleo, principal produto de exportação da Venezuela, além das sanções impostas pelos EUA, agravaram ainda mais a situação.

Agência Estado

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