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Aliança curdo-arabe diz que Estado Islâmico acabará se rendendo

09:53 | 18/02/2019

Os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI) entrincheirados em seu último reduto no leste da Síria não têm outra escolha a não ser a capitulação, advertiu nesta segunda-feira a aliança curdo-árabe apoiada por Washington.

Esta advertência acontece quando ministros das Relações Exteriores europeus se reúnem em Bruxelas para discutir o conflito sírio, após o apelo feito pelo presidente americano Donald Trump para repatriar os estrangeiros que se juntaram ao EI e atualmente detidos pelas forças curdas.

Em seu apogeu, o EI atraiu milhares de europeus, americanos e asiáticos, entre outros combatentes estrangeiros, estabelecidos nas áreas conquistadas pela organização ultrarradical a partir de 2014 na Síria e no Iraque.

Mas o "califado" autoproclamado foi reduzido a uma área de meio quilômetro quadrado, na cidade de Baghuz, província de Deir Ezzor.

Há vários dias, a "batalha final" das Forças Democráticas Sírias (FDS) contra este último setor esbarra na resistência de jihadistas obstinados.

Entrincheirados em túneis, sob um oceano de minas, eles impedem a libertação de centenas de civis transformados em "escudos humanos", segundo as FDS e a coalizão internacional liderada por Washington.

"Os confrontos são muito limitados e esporádicos. Até agora não há mudanças no terreno", reconheceu Mustefa Bali, porta-voz das FDS. "Estamos trabalhando para encontrar uma maneira de evacuar os civis", acrescentou.

Segundo uma fonte informada sobre as operações militares anti-EI, "centenas" de jihadistas pediram para ser transferidos para Idleb, província controlada por outro grupo extremistas no noroeste da Síria, valendo-se dos civis feitos reféns.

Esta proposta não foi aceita pelas FDS, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

A AFP não foi capaz de verificar essas informações junto as autoridades curdas.

Uma fonte das FDS assegurou, no entanto, que "não há negociação" possível com os extremistas islâmicos.

"O EI não tem opção (...), está cercado e não tem outra escolha a não ser a rendição", ressaltou.

Entre os jihadistas há franceses, alemães, britânicos e canadenses. Homens são mantidos na prisão, as mulheres e crianças em campos de deslocados, principalmente em Al-Hol, na província de Hassaka (nordeste).

A administração curda quer enviá-los a seus países de origem. Mas as potências ocidentais são reticentes frente à hostilidade de parte de sua opinião pública.

Nesta segunda, em Bruxelas, os ministros de Relações Exteriores da UE devem discutir, entre outras coisas, os "últimos acontecimentos no terreno" na Síria, de acordo com a agenda.

A reunião acontece depois de um discurso do presidente Trump contra as potências europeias, para que repatriem seus cidadãos.

"Os Estados Unidos pedem à Grã-Bretanha, França, Alemanha e outros aliados europeus que levem de volta mais de 800 combatentes do EI que capturamos na Síria para levá-los à justiça", disse em sua conta no Twitter.

"Não há alternativa", avisou.

Paris, Bruxelas e Berlim reagiram já no domingo. "São os curdos que os detêm e temos toda a confiança em sua capacidade de mantê-los" na prisão, disse na BFMTV o secretário de Estado francês para o Interior, Laurent Nuñez.

"De qualquer forma, se esses indivíduos retornarem ao território nacional, todos eles serão julgados e encarcerados", acrescentou.

O ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, considerou ser "extremamente difícil" organizar a repatriação nesse estágio.

Um retorno só será possível se "pudermos garantir que essas pessoas serão imediatamente levadas aos tribunais e que serão detidas", declarou no domingo à noite no canal ARD. "Precisamos de informações judiciais, e isso ainda não é o caso".

O assunto é ainda mais delicado, uma vez que Trump prometeu em dezembro retirar os cerca de 2.000 militares americanos mobilizados na Síria. Esse desengajamento e a ameaça de uma ofensiva turca contra as forças curdas poderia criar um caos de segurança que beneficiaria o EI.

A batalha anti-EI representa hoje a principal frente da guerra na Síria, que já fez mais de 360.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados desde 2011.

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AFP