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Explosivos e túneis do Estado Islâmico atrasam ofensiva curdo-árabe na Siria

11:36 | 15/02/2019

A aliança curdo-árabe na Síria realiza, nesta sexta-feira, operações para a retirada de minas e tenta localizar os túneis que retardam o seu avanço no último reduto do grupo Estado Islâmico (EI), defendido por centenas de jihadistas radicais.

Alvo de uma ofensiva das Forças Democráticas Sírias (FDS), o último reduto do EI, no leste da Síria, perto da fronteira com o Iraque, foi abandonado por dezenas de milhares de civis e jihadistas, alguns originários da França ou da Alemanha.

Após uma ascensão meteórica em 2014, o "califado" do EI, que chegou a incluir grandes áreas na Síria e no Iraque, não representa mais do que um quilômetro quadrado na província de Deir Ezzor.

As poucas centenas de combatentes do EI se escondem em túneis e lançam ataques suicidas em um bairro da cidade de Baghuz.

"O elevado número de minas e túneis impedem que as FDS assumam o controle total" da área, disse o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), que relata operações para a retirada das minas.

Um porta-voz das FDS, Adnane Afrine, informou à AFP que os combates continuam.

"Os combatentes do EI não querem se render e continuam a lutar. Não sei a razão desta resistência", lamentou.

Nos territórios recuperados pelas FDS - que recebem o apoio da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos - os jihadistas ativaram "células" dormentes e "tentativas de assassinato" foram relatadas, assegurou.

Fugindo da violência, quase 40 mil pessoas, principalmente famílias de jihadistas, abandonaram a região desde dezembro, segundo o OSDH.

Entre eles também estão cerca de 3.800 combatentes, de acordo com a mesma fonte.

Quando chegam aos postos de controle das FDS, homens e mulheres são revistados e interrogados.

Todos relatam uma jornada cansativa e perigosa, durante a qual tiveram que escapar dos atiradores do EI, mas também evitar as minas.

Vestindo um niqab preto coberto de poeira, as mulheres, a maioria muito magra, dobram-se sob o peso de seus filhos pequenos, sacos e malas.

"Alguns não viam comida fresca há semanas (...) Eu ouvi histórias de pessoas fazendo uma espécie de sopa com grama para sobreviver", declarou à AFP Jean-Nicolas Paquet-Rouleau, diretor adjunto do Comitê Internacional da Cruz Vermelha na Síria.

Nos últimos dias, as equipes da AFP viram um grande número de estrangeiros entre os sírios deslocados: franceses, mas também alemães, russos, ucranianos e, especialmente, muitos iraquianos.

"Não temos números exatos (..) vai levar tempo, mas podemos dizer que os números estão aumentando, especialmente entre mulheres e crianças", indicou à AFP Abdel Karim Omar, encarregado das Relações Exteriores na administração semi-autônoma curda.

Segundo ele, os estrangeiros, "até mesmo os combatentes do EI", preferem se render às FDS, do que fugir para o Iraque, onde centenas foram condenados à morte ou à prisão.

A questão dos estrangeiros é uma verdadeira dor de cabeça para as autoridades curdas, que exigem sua repatriação para seus países de origem. Mas as nações ocidentais estão relutantes em receber potenciais jihadistas.

Os homens acusados de pertencerem ao EI são detidos. Já os civis, incluindo muitas esposas e filhos de jihadistas, estão sendo transferidos para campos de deslocados no norte da Síria.

Por vezes, eles têm que dormir várias noites sob as estrelas, no chão de terra das planícies áridas perto de Baghuz. "Infelizmente, as agências internacionais de ajuda, a comunidade internacional e até mesmo a coalizão não assumem a responsabilidade por esses deslocados", disse Abdel Karim.

"O que fornecem nem cobre 5% das necessidades", acusa.

Apesar da prudência da coalizão internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou mais uma vez sobre uma iminente derrota do EI, que poderia ser anunciada nos próximos dias.

Uma derrota do EI pavimentaria o caminho para a retirada, anunciada em dezembro por Trump, de cerca de 2.000 soldados americanos mobilizados na Síria para combater os extremistas junto às FDS.

Iniciado em 2011, o conflito na Síria já fez mais de 360.000 mortos.

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AFP