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Presidente do Haiti rompe silêncio após semana de protestos violentos

11:24 | 15/02/2019

O presidente do Haiti, Jovenel Moise, rompeu seu silêncio na quinta-feira, após uma semana de violentos protestos exigindo sua renúncia, e que deixaram pelo menos sete mortos.

"Não deixarei o país nas mãos de gangues armadas e traficantes de drogas", disse em discurso transmitido pela televisão estatal, na sequência dos confrontos entre autoridades e manifestantes na capital, Porto Príncipe.

Desde 7 de fevereiro, pelo menos sete pessoas morreram em protestos que virtualmente paralisaram as principais cidades do país.

Furiosos com a inflação e o suposto desvio de 2 bilhões de dólares em petróleo enviado pela Venezuela, os manifestantes tomaram as ruas para exigir a saída de Moise.

Além disso, o governo dos Estados Unidos anunciou a ordem de retirada de funcionários do país, no mesmo dia em que o Canadá ordenou o fechamento temporário de sua embaixada.

"Atualmente há manifestações generalizadas, violentas e imprevisíveis em Porto Príncipe e em outras partes do Haiti. Devido a estas manifestações, em 14 de fevereiro de 2019, o Departamento de Estado ordenou a saída de todo o pessoal dos Estados Unidos que não seja de emergência e de seus familiares", afirmou o órgão em um comunicado.

O Haiti atravessa um profunda crise política desde 7 de fevereiro. As atividades estão paralisadas por manifestações populares nas principais cidades.

A ira popular tem como alvo principal o presidente Jovenel Moise, no poder desde 2017, criticado por não ter cumprido suas promessas e por ter agravado a pobreza.

A frustração popular dos haitianos se agravou pela publicação no final de janeiro de um relatório oficial sobre o possível desvio de quase dois bilhões de dólares do Fundo Petrocaribe, um programa de ajuda que a Venezuela oferece ao Haiti desde 2008.

Moise, um ex-empresário de 50 anos, entrou na política há dois anos com um discurso populista que prometia tirar a ilha caribenha da pobreza.

Sua pregação foi baseada em sua experiência como empresário. Seus empreendimentos incluíam tratamento de água, setor de energia e produção agrícola.

Este último valeu a ele o apelido de "The Banana Man".

Seus interesses comerciais o levaram em 2014 a um encontro com o homem que mais tarde seria seu mentor político: o então presidente Michel Martelly, um ex-cantor conhecido pelo nome de Sweet Micky. Ele também era um recém-chegado à política quando ganhou a presidência em 2011.

Mas o financiamento de seus campos, lançado em 2014 e reforçado no ano seguinte, quando o governo emprestou 6 milhões de dólares a ele, é alvo de questionamentos e os adversários do presidente aproveitam para levantar suspeitas de corrupção.

Em um relatório publicado em janeiro passado, a investigação sobre desvios de fundos também descobriu que a empresa bananeira Agritrans, de propriedade de Moise, recebia dinheiro para melhorar uma estrada, mas não havia nenhum contrato para essa obra.

Moise, como quase todos os candidatos no Haiti, faz promessas populistas.

Ele prometeu "comida em cada prato e dinheiro em cada bolso".

No entanto, a maioria dos haitianos ainda luta para sobreviver e enfrentar a inflação que aumentou 15% desde sua eleição em fevereiro de 2017.

Depois de assumir o cargo, ele percorreu o país no que chamou de "caravana da mudança", com promessas como incentivar a compra de maquinário pesado e empreender grandes obras cujos custos nunca foram especificados, apesar das insistentes demandas dos meios de comunicação.

Em suas visitas pelas províncias do Haiti, ele também prometeu coisas como garantir eletricidade para todo o país durante todo o dia.

Mas agora ante tumultos que incluem tiroteios, Moise parou de falar até esta quinta-feira, quando negou a ideia de renunciar ou entregar o poder a um governo de transição.

"Já vimos muitos governos de transição que resultaram em uma série de catástrofes e desordem", enfatizou.

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AFP