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Sírio suspeito por crimes contra humanidade será levado à justiça na França

09:19 | 15/02/2019

O sírio suspeito de crimes contra a humanidade entre 2011 e 2013 em seu país e preso na terça-feira na França foi encaminhado à Procuradoria de Paris para ser apresentado nesta sexta-feira a um juiz de instrução.

Segundo uma fonte próxima ao caso, trata-se de um ex-agente do serviço de inteligência do regime de Bashar al-Assad. Ele é suspeito de ter participado dos abusos cometidos contra civis pelo regime sírio entre 2011 e 2013.

Um inquérito judicial foi aberto por "atos de tortura", "crimes contra a humanidade" e "cumplicidade nesses crimes".

O homem de cerca de trinta anos foi preso na região de Paris e colocado sob custódia policial na terça-feira. No mesmo dia, outros dois sírios também foram detidos em Berlim e Zweibrücken (Renânia-Palatinado, oeste da Alemanha), como parte de uma operação conduzida por uma equipe de investigação conjunta entre os dois países.

Os dois presos na Alemanha também são suspeitos de serem membros do "mukhabarat", o serviço de inteligência sírio, na região de Damasco.

Anwar R., de 56 anos, teria sido cúmplice de tortura cometida pelo serviço secreto sírio em uma prisão. Eyad A., de 42 anos, é suspeito de ter participado do assassinato de duas pessoas e da tortura de pelo menos 2.000 pessoas entre julho de 2011 e janeiro de 2012.

Os investigadores se apoiam nos testemunhos de vítimas dessas torturas. Segundo a Procuradoria alemã, os dois homens deixaram o país em 2012, antes de irem para a Alemanha.

Desde o início do conflito sírio em 2011, o regime de Bashar al-Assad é acusado de violações dos direitos humanos e múltiplos casos de tortura, estupros e execuções sumárias.

Segundo o Observatório de Direitos Humanos da Síria (OSDH), pelo menos 60 mil pessoas morreram sob tortura ou por causa das terríveis condições de detenção nas prisões do regime e meio milhão de pessoas passaram por esses centros desde 2011.

A Comissão de Inquérito da ONU acusou repetidamente as várias partes no conflito na Síria de cometer crimes de guerra e, em alguns casos, crimes contra a humanidade.

Em 2014, um ex-fotógrafo da polícia militar síria, infiltrado sob o pseudônimo "César", revelou fotografias de corpos torturados nas prisões do regime entre 2011 e 2013. Ele fugiu da Síria em 2013, vazando 55.000 fotografias horríveis.

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