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Governo considera derrota no Parlamento sobre o Brexit apenas um tropeço

09:06 | 15/02/2019

A derrota sofrida na quinta-feira (14) pela primeira-ministra britânica Theresa May no Parlamento, onde uma moção de apoio a sua estratégia não teve sucesso, foi apenas um "tropeço" e não um desastre, afirmou o governo.

"O que vimos ontem foi mais um tropeço do que um desastre", disse Andrea Leadsom, líder da Câmara dos Comuns, em uma tentativa de minimizar o tamanho da derrota.

Em uma entrevista à rádio BBC, Leadsom disse que "o problema com a votação da última noite é que permite à União Europeia continuar fingindo que não sabe o que queremos. E eles sabem muito bem o que queremos".

Na quinta-feira à noite, o Parlamento rejeitou por 303 votos a 258 uma moção de apoio à estratégia de negociação de May em sua tentativa de superar o obstáculo das salvaguardas irlandesas.

No dia 29 de janeiro os parlamentares deram a May um mandato para buscar "alternativas" à manutenção da fronteira entre Irlanda do Norte (parte do Reino Unido) e a República da Irlanda, que integra a União Europeia.

Mas a votação de quinta-feira também levou em consideração outra decisão adotada em 29 de janeiro, pela qual o Reino Unido não abandonaria a UE sem um acordo.

Os defensores mais veementes do Brexit no Partido Conservador, de May, acreditam que uma saída sem acordo deve permanecer como alternativa. Por este motivo optaram pela abstenção na quinta-feira.

O parlamentar conservador Steve Baker disse que a derrota da véspera é um "tempestade em um copo d'água" e que gostaria de ter um acordo.

A votação foi simbólica, mas o efeito é novamente muito desestabilizador: May não tem a confiança do parlamento para tentar uma negociação final com seus parceiros europeus.

No entanto, a votação alimentou a crescente frustração tanto em Bruxelas como em Londres sobre a estratégia de May, enquanto o calendário avança para a data limite de 29 de março.

No dia 15 de janeiro, o Parlamento rejeitou o acordo de saída que May negociou com muitas dificuldades durante dois anos.

Agora a primeira-ministra expressa a intenção de retomar o texto para fazer modificações sobre as cláusulas irlandesas, para apresentar novas propostas à UE.

O ministro britânico do Brexit, Stephen Barclay, e o líder da oposição, Jeremy Corbyn, discutirão como desbloquear o acordo de divórcio com o negociador europeu Michel Barnier na próxima semana em Bruxelas.

"A porta de Barnier está sempre aberta", disse um porta-voz da comunidade, confirmando que a visita de Barclay na segunda-feira e a visita do líder trabalhista Corbyn são esperadas na quinta-feira.

May também pode viajar para a capital da Bélgica na semana que vem, mas a visita ainda não foi confirmada.

Bruxelas já afirmou que não mudará de posição a respeito das salvaguardas, mas que está disposta a trabalhar em um acordo separado.

Como os líderes europeus se mostram inflexíveis, na terça-feira May admitiu que precisa de mais tempo para encontrar uma saída.

"A UE ainda está esperando por Londres propostas concretas e realistas para sair do impasse sobre o Brexit", disse o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, no Twitter na quarta-feira.

Neste contexto de incerteza, líderes empresariais e economistas alertaram para os efeitos que poderia ter em todo o continente caso o Reino Unido acabe deixando a UE sem um acordo.

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