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Centenas de pessoas continuam a fugir de último reduto do EI na Síria

12:46 | 13/02/2019

Centenas de pessoas continuavam a fugir nesta quarta-feira do último reduto do grupo Estado Islâmico (EI) na Síria, onde os jihadistas continuam resistindo à ofensiva "final" da aliança curdo-árabe.

Após uma ascensão meteórica em 2014 e a proclamação de um "califado" sobre um território que se estendia entre a Síria e o Iraque, os extremistas, enfraquecidos por múltiplas ofensivas, estão atualmente entrincheirados em uma pequena área na província de Deir Ezzor, perto da fronteira iraquiana.

As Forças Democráticas Sírias (FDS) lançaram no sábado a "batalha final" contra o setor onde estão entre 500 e 600 combatentes extremistas, segundo a aliança curdo-árabe apoiada por Washington.

Centenas de pessoas, principalmente de famílias de jihadistas, fogem diariamente dos combates. Nesta quarta-feira, cerca de 300 mulheres e crianças, a maioria iraquianas, aguardavam em pequenos grupos perto de uma posição das FDS nos arredores de Baghuz, constatou uma equipe da AFP.

A maioria passou a noite ao ar livre.

"Tentei conseguir um cobertor para meus filhos, mas não havia o suficiente", disse à AFP Oum Ayham, uma jovem de Raqa, a antiga "capital" dos jihadistas no norte da Síria.

"Algumas pessoas acenderam uma fogueira, queimando plástico e fraldas, e eu me sentei ao lado para me aquecer", acrescentou.

Elas fugiram no dia anterior e chegaram a uma primeira barreira das FDS, de onde foram transportadas para a uma área onde se encontram os civis que desertaram do último reduto extremista.

Não muito longe, membros da coalizão internacional revistam os homens, um dos quais em uma cadeira de rodas

Um jovem espera por um escaneamento de retina, um procedimento que ajuda a identificar potenciais jihadistas entre a multidão desertora.

As FDS também realizam extensos interrogatórios e recolhem impressões digitais.

Aqueles que já foram revistados ficam agachados e são cercados pelas FDS.

Mais de 38 mil pessoas fugiram desde dezembro, principalmente famílias de jihadistas, mas também mais de 3,5 mil supostos combatentes da organização ultrarradical, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Com contra-ataques e franco-atiradores, entre 500 e 600 jihadistas resistem ferozmente numa área que se estende de Baghuz à fronteira com o Iraque.

O OSDH confirmou uma "progressão lenta" das FDS, que avançam por áreas agrícolas descobertas.

"Há minas enterradas em toda a área", acrescentou o diretor do Observatório, Rami Abdel Rahman.

"As FDS recorreram a foguetes", disse, relatando "combates ferozes" em torno de Baghuz.

Por sua parte, um porta-voz das FDS, Mustefa Bali, disse à AFP que a aliança "retomou posições perdidas em um contra-ataque lançado há dois dias.

"Nós fizemos progressos e conquistamos novas posições", acrescentou.

Mesmo que o fim pareça próximo, a coalizão se recusa a anunciar uma possível data para o fim da ofensiva. "É muito cedo para revelar um cronograma", disse seu porta-voz, o coronel Sean Ryan, na terça-feira.

Por sua parte, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou mais uma vez sobre uma iminente derrota do EI, que poderia ser anunciada "na próxima semana".

"No Oriente Médio, nossos bravos guerreiros libertaram praticamente 100% dos territórios do EI no Iraque e na Síria", disse Trump na segunda-feira.

Uma derrota do EI pavimentaria o caminho para a retirada, anunciada em dezembro por Trump, de cerca de 2.000 soldados americanos mobilizados na Síria para combater os extremistas.

"Estamos cumprindo nossos compromissos", disse na terça-feira o secretário de Defesa americano, Patrick Shanahan, durante uma visita ao Iraque, recusando-se a mencionar qualquer cronograma.

Iniciado em 2011, o conflito na Síria já fez mais de 360.000 mortos.

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