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Australia reabrirá centro de retenção de imigrantes

05:18 | 13/02/2019

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, anunciou nesta quarta-feira a reabertura de um polêmico centro de retenção de imigrantes na ilha Christmas, endurecendo ainda mais a política migratória após uma derrota no Parlamento.

O chefe de Governo aprovou a reabertura do campo, fechado em outubro, alegando que as novas leis votadas pela oposição provocariam um grande fluxo de clandestinos nas costas australianas.

Morrison se referia à votação da oposição trabalhista e dos independentistas, terça-feira e quarta-feira, contra a vontade do Executivo, de emendas sobre o tratamento médico oferecido aos solicitantes de asilo relegados pela Austrália a campos offshore em Papua Nova Guiné ou na ilha meridional de Nauru.

Os textos podem permitir aos quase mil imigrantes que permanecem detidos nos campos uma transferência à Austrália para receber tratamento caso dois médicos façam a solicitação.

Em sua declaração Morrison deixou de lado o fato de que as emendas afetam apenas os migrantes detidos nos campos offshore e acusou a oposição de tentar "enfraquecer e comprometer nossas fronteiras".

O governo, disse, adotará "em 100%" as recomendações dos serviços de segurança para impedir novas chegadas de imigrantes em situação irregular.

O premier, no entanto, não detalhou as recomendações, exceto a reabertura do campo da ilha Christmas, um território australiano no Oceano Índico, situado a 1.500 km da costa nordeste da Austrália e a 350 km ao sul da Indonésia.

A decisão é parte da campanha para a eleição de maio, que terá imigração como um tema chave.

A política dos últimos governos conservadores consiste, desde 2013, em rejeitar sistematicamente os barcos de refugiados que tentam chegar ilegalmente às costas do país.

Os migrantes que conseguem alcançar o país são relegados por tempo indeterminado a campos de retenção offshore, enquanto seus pedidos de asilo são processados.

Esta política rendeu muitas críticas à Austrália pelas condições de detenção nos campos, nos quais vivem muitas crianças e onde foram registrados suicídios e atos de automutilação.

O Partido Trabalhista denunciou as "táticas alarmistas" do governo, que acusou de utilizar o medo dos imigrantes com objetivos eleitorais.