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Mãe conta que filha morta na Nicarágua tinha medo da violência

Maria José Costa, mãe de Raynéia Lima, de 30 anos, pede queo corpo da filha seja trazido para o Brasil

14:11 | 25/07/2018
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"Ela precisou sair do Brasil para conseguir estudar, realizar o sonho dela, e por causa disso perdeu a vida", desabafa Maria José Costa, mãe da pernambucana Raynéia Lima, de 30 anos, morta na Nicarágua. Em meio ao luto, a enfermeira aposentada de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata de Pernambuco, pede que o corpo da filha seja trazido para o Brasil.

Raynéia falou, pela última vez com a mãe na manhã da segunda (23). “Ela me disse que estava indo para o plantão, então eu disse para a gente deixar para conversar mais tarde, quando ela estivesse de volta em casa. Mas esse mais tarde não aconteceu", conta Maria José, destacando que viu a filha ao vivo pela última vez no final de 2014. "Ela me disse que o gasto para ela vir ao Brasil era muito alto, que precisa desse dinheiro para pagar as contas lá. Então, ficamos nos falando pelo Skype e por celular", lamenta.
 
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A pernambucana, que estava na Nicarágua desde 2013, costumava relatar para a mãe a situação no país. "Ela dizia sempre que estava com medo, que tinha um toque de recolher, e eu dizia 'não ande só, arrume alguém para ir com você'. Uma amiga dela, também aqui de Pernambuco, até voltou com medo. Mas ela ficou, estava tudo planejado para ela voltar entre março e abril de 2019, pois já tinha terminado a faculdade e estava fazendo residência”, explica a mãe.

Até o fim da tarde desta terça-feira (24), Maria José ainda não havia recebido informações oficiais sobre a morte da filha. "Não sei quando o corpo da minha filha vai poder vir para o Brasil para ter um enterro digno", diz emocionada a mãe.

Onda de violência
O país, vive desde abril uma onda de protestos que pedem a saída do presidente Daniel Ortega. O governo respondeu com violência aos manifestantes e ao menos 360 pessoas já foram mortas, a maior parte civis.

O governo nega ter ligação com os grupos paramilitares que são acusados de serem os responsáveis pela maioria das mortes, apesar deles usarem bandeiras do partido do presidente, a Frente Sandinista de Libertação Nacional.

Itamaraty
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores lamentou o ocorrido e disse estar buscando, junto com as autoridades da Nicarágua, os esclarecimentos do assassinato da jovem. O Itamaraty também condenou ações de força e violência que acontecem neste momento no país.

Confira a nota completa abaixo:
"O governo brasileiro recebeu com profunda indignação e condena a trágica morte ontem, 23 de julho, da cidadã brasileira Raynéia Gabrielle Lima, estudante de Medicina na Universidade Americana em Manágua, atingida por disparos em circunstâncias sobre as quais está buscando esclarecimentos junto ao governo nicaraguense. Neste momento difícil, estende sua solidariedade e expressa suas mais sentidas condolências à família da jovem.

Diante do ocorrido, o governo brasileiro torna a condenar o aprofundamento da repressão, o uso desproporcional e letal da força e o emprego de grupos paramilitares em operações coordenadas pelas equipes de segurança, conforme constatado pelo Mecanismo Especial de Seguimento para a Nicarágua instalado para implementar as recomendações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Ao repudiar a perseguição de manifestantes, estudantes e defensores dos direitos humanos, o governo brasileiro volta a instar o governo da Nicarágua a garantir o exercício dos direitos individuais e das liberdades públicas."

O governo brasileiro exorta as autoridades nicaraguenses a envidarem todos os esforços necessários para identificar e punir os responsáveis pelo ato criminoso."

Universidade também se pronunciou
Por meio de um comunicado digital, La Universidad Americana declarou profunda tristeza pela morte da estudante Raynéia. Afirmaram ainda fazer uma referência à pernambucana em sinal de luto e dor e em solidariedade aos estudantes da universidade e de todos os outros lugares do país. 


Nota do Itamaraty sobre o caso da Pernambucana:
 
"Morte de cidadã brasileira na Nicarágua

24 de Julho de 2018, 15h23

Raynéia Gabrielle Lima, estudante de Medicina na Universidade Americana em Manágua, atingida por disparos em circunstâncias sobre as quais está buscando esclarecimentos junto ao governo nicaraguense. Neste momento difícil, estende sua solidariedade e expressa suas mais sentidas condolências à família da jovem.

Diante do ocorrido, o governo brasileiro torna a condenar o aprofundamento da repressão, o uso desproporcional e letal da força e o emprego de grupos paramilitares em operações coordenadas pelas equipes de segurança, conforme constatado pelo Mecanismo Especial de Seguimento para a Nicarágua instalado para implementar as recomendações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Ao repudiar a perseguição de manifestantes, estudantes e defensores dos direitos humanos, o governo brasileiro volta a instar o governo da Nicarágua a garantir o exercício dos direitos individuais e das liberdades públicas.

O governo brasileiro exorta as autoridades nicaraguenses a envidarem todos os esforços necessários para identificar e punir os responsáveis pelo ato criminoso."
 

Via Rede Nordeste 
 
 
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