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O que acontecerá com os rebeldes sírios e os civis de Ghuta Oriental

O regime de Bashar al-Assad lançou a ofensiva contra esta fortaleza rebelde em 18 de fevereiro e reconquistou 80% do território até à data

10:37 | 18/03/2018
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O regime sírio conduz há um mês uma ofensiva contra o enclave rebelde de Ghuta Oriental, nas proximidades da capital Damasco, e para muitos observadores o destino do reduto parece selado.

 

[SAIBAMAIS]

O regime de Bashar al-Assad lançou a ofensiva contra esta fortaleza rebelde em 18 de fevereiro e reconquistou 80% do território até à data. Os rebeldes controlam apenas três setores, isolados entre eles. Um deles está no norte de Ghuta, em torno da Duma. É controlado pelo grupo islâmico Jaish al-Islam.

 

Outro setor está localizado na zona oeste. A cidade de Hasrata é a mais importante nessa área, controlada pelo grupo Ahrar al-Sham. O terceiro setor, mais ao sul, está sob controle de combatentes da Faylaq al-Rahman. "Os combates vão parar em algum momento, e então vão negociar. As negociações podem levar algum tempo", diz Fabrice Balanche, especialista em Síria. Aron Lund, do think tank americano The Century Foundation, compartilha essa opinião.

 

A divisão desta região em setores permite ao regime falar separadamente com os diferentes grupos rebeldes. O governo sírio já usou essa tática no passado. Várias fortalezas rebeldes sofreram uma campanha de bombardeios e cerco asfixiante, como a cidade de Homs (centro) em 2012 ou Aleppo (norte) em 2016. Os rebeldes e civis foram então evacuados, principalmente para a província de Idlib (noroeste), única que escapa em grande parte ao controle do regime.

 

Os rebeldes, que afirmam rejeitar qualquer evacuação, declaram-se, no entanto, dispostos a iniciar "negociações diretas" com a Rússia, sob os auspícios da ONU, para obter um cessar-fogo. Mas, de acordo com Thomas Pierret, do CNRS francês, embora se destaquem pela sua destreza na guerra urbana, os rebeldes não podem "fazer muito diante do poder de fogo" do regime.

 

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), já existem negociações entre algumas facções rebeldes e o regime e seu aliado russo. Lund ressalta que, ao contrário de outras províncias, "os rebeldes de Ghuta são em sua maioria naturais da região". As negociações poderiam incluir um possível "acordo de reconciliação", de acordo com o OSDH, o que asseguraria a permanência da Jaish al-Islam em Duma, em troca de seu desarmamento com a implantação da polícia militar russa, o retorno das instituições do regime, mas sem a entrada das forças sírias. Jaish al-Islam teria cerca de 6.000 combatentes, de acordo com Balanche.

 

Os rebeldes que se recusarem a depor as armas poderiam beneficiar de um "acordo de evacuação", principalmente para os setores controlados pelos rebeldes em Deraa (sul), de acordo com o OSDH. Os combatentes de outros grupos, como Faylaq al-Rahman - cerca de 3.000 - iriam, segundo o OSDH, para regiões controladas por esta milícia no norte, na província de Aleppo ou na vizinha Idlib.

 

O mesmo aconteceria com Hayat Tahrir al-Sham, que teria centenas de combatentes, ou Ahrar al-Sham, presente em Harasta. Antes da ofensiva, o enclave rebelde de Ghuta Oriental tinha cerca de 400 mil habitantes, de acordo com a ONU. Mais de 50 mil civis dessa região fugiram desde quinta-feira, segundo o OSDH. A maioria não teve outra escolha senão ir para os territórios controlados pelo regime. Lund lembra que no passado, quando algumas fortalezas rebeldes foram reconquistadas, alguns civis escolheram permanecer em suas cidades.

 

"As pessoas só querem sobreviver, salvar suas famílias e continuar suas vidas, seja qual for a autoridade responsável por sua cidade", diz ele. Mas em Ghuta, observa, alguns não poderão ficar: os opositores do regime temem "atos de vingança, prisões, tortura". "Os homens que estão na faixa etária de serem recrutados não querem o ser e vão optar por partir", acrescenta. Suas famílias vão querer segui-los. Estes poderiam, portanto, estar sujeitos a um "acordo de evacuação", como os de Aleppo em 2016.

 

 

AFP

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