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Coreia do Norte acusa Washington de "chantagem"

10:28 | 09/12/2017
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Em suas reuniões com um emissário da ONU, a Coreia do Norte acusou o governo dos Estados Unidos de "chantagem nuclear", mas aceitou manter um canal de comunicação regular com as Nações Unidas. O diplomata americano Jeffrey Feltman, secretário-geral adjunto da ONU para Assuntos Políticos, desembarcou neste sábado, 9, em Pequim após uma visita de cinco dias a Pyongygang com o objetivo de reduzir a crise na península coreana.

Esta visita excepcional começou uma semana depois do lançamento pela Coreia do Norte, em 28 de novembro, de um míssil balístico intercontinental (ICBM) capaz de alcançar o território continental dos Estados Unidos, segundo os especialistas. Em sua visita, a primeira de um alto diplomata da ONU desde 2010, Feltman se reuniu com o ministro das Relações Exteriores Ri Yong-Ho e seu vice-ministro Pak Myong-Kuk, anunciou a agência estatal norte-coreana KCNA.

"Durante as reuniões, nossa parte declarou que a política de hostilidade dos Estados Unidos a respeito da RPDC e sua chantagem nuclear são responsáveis pela atual situação de tensão na península coreana", afirmou a agência.
Além disso, a República Popular Democrática da Coreia (RPDC, nome oficial da Coreia do Norte) estabeleceu com a ONU "regularizar as comunicações para visitas a diversos níveis", destacou a KCNA. A agência não mencionou nenhum encontro com o líder norte-coreano Kim Jong Un.

A Coreia do Norte está submetida a várias séries de sanções da ONU por sua recusa a respeitar resoluções das Nações Unidas que proíbem suas atividades nucleares e balísticas. Feltman fez a visita pouco depois do maior exercício aéreo conjunto já realizado entre Estados Unidos e Coreia do Sul.

Para Pyongyang, as manobras regulares organizadas por Washington na península ao lado das forças sul-coreanas "mostram sua intenção de preparar um ataque nuclear preventivo surpresa contra a RPDC", indicou a KCNA. Feltman não fez nenhuma declaração aos jornalistas que o aguardavam no aeroporto de Pequim neste sábado.
A China, principal apoio econômico de Pyongyang, assegura que aplica estritamente as sanções da ONU, mas Washington considera que o país deveria intensificar a pressão com um embargo do petróleo. Pequim prefere defender sua proposta de "dupla moratória" - suspensão simultânea dos testes nucleares de Pyongyang e das manobras militares dos Estados Unidos e da Coreia do Sul - para reativar as negociações. Washington rejeita a ideia.

"A península coreana segue em um círculo vicioso de demonstrações de força e de confrontos; as perspectivas não são otimistas", lamentou o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, em um texto publicado no site do ministério.
Paralelamente, Pyongyang publicou neste sábado fotos de Kim Jong Un no topo do Monte Paektu (2.750 m), onde o líder norte-coreano considerou estes "dias impregnados de emoção, nos quais realizo a grande causa histórica da conquista da força nuclear do Estado, sem ceder em nenhum momento", segundo a KCNA.

O Monte Paektu, perto da fronteira com a China, é considerado sagrado pelos norte-coreanos pois o fundador do país, Kim Il-Sung, avô de Kim Jong-Un, estabeleceu no local um acampamento de guerrilha antijaponesa, na época da colonização da Coreia pelo Japão.

A história oficial do regime afirma que o pai de Kim Jong-Un, Kim Jong-Il, que morreu em dezembro de 2011, nasceu nesta montanha em 1942. Vários historiadores, no entanto, situam o nascimento na Rússia.
ckp/klm/jta/plh/lab/jvb/me.zm/fp

AFP

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