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O que se sabe sobre os ataques na Espanha

Ao todo, há 14 mortos na Espanha e quatro suspeitos presos

09:57 | 18/08/2017
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Como acontece sempre em atentados terroristas, as informações sobre os ataques desta quinta-feira (17) em Barcelona ainda são desencontradas, mas as autoridades já confirmaram alguns detalhes.

Veja abaixo o que se sabe sobre o episódio:

Como ocorreu o ataque?

Entre 17h e 18h (horário local), uma van branca saiu da Praça da Catalunha, um dos pontos mais movimentados da cidade, e invadiu as Ramblas, rua de 1,2 quilômetro que segue até a marina da capital catalã. O local é formado por duas vias estreitas para carros nas laterais e um amplo calçadão no centro, com inúmeras bancas, quiosques comerciais e barraquinhas de souvenires.

Situadas em pleno centro histórico, as Ramblas formam um dos pontos turísticos mais visitados de Barcelona e também contam com diversos restaurantes, lojas e mercados.

Fazendo "zigue-zague", a van percorreu cerca de 600 metros no calçadão de pedestres e atropelou dezenas de pessoas até se chocar contra um quiosque. O motorista então abriu a porta e saiu correndo, sem dar nenhum grito - em atentados de matiz jihadista, os terroristas costumam bradar "Allahu Akbar" ("Deus é grande" em árabe). Ele também não aparentava estar armado.

Depois disso, ainda não se sabe claramente o que ocorreu. O que é certo é que os autores do ataque alugaram dois furgões, um para atropelar e outro para fugir. Este último foi encontrado em Vic, cerca de 70 quilômetros ao norte de Barcelona.

Quantas pessoas morreram?

O último dado oficial é de pelo menos 14 mortos, sendo 13 em Las Ramblas e uma mulher que havia ficado feria em Cambrils, no segundo atentado terrorista cometido no mesmo dia na Espanha.

Mais de 100 pessoas ficaram feridas, porém esse número não é exato, já que muitos indivíduos procuraram atendimento por conta própria. Desse total, ao menos 15 pessoas estão internadas em estado grave.

Quem reivindicou o atentado?

O ataque foi assumido pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI), por meio de sua agência oficial de propaganda, a "Amaq". Segundo a milícia, os autores do atentado são "soldados do califado". O uso de veículos pesados - como vans e caminhões - tem sido o método preferido de simpatizantes do EI para cometer atentados na Europa, como nos ataques de Nice, em julho de 2016, em Berlim, em dezembro do mesmo ano, e em Londres, em março e junho de 2017. Quantas pessoas já foram presas?

Os "Mossos d'Esquadra", nome da força policial da Catalunha, confirmaram a prisão de quatro homens, sendo que nenhum deles era o motorista do furgão usado no atropelamento, que continua foragido e fora identificado como Moussa Oukabir, de 18 anos.

Um espanhol natural de Melilla, enclave do país europeu no Marrocos, foi detido em Alcanar, a 200 quilômetros de Barcelona.

Ele foi a primeira pessoa a ser detida.

Na madrugada desta quinta, essa mesma cidade havia registrado uma explosão em uma casa. Segundo a polícia, o episódio pode estar relacionado com o atentado na capital catalã. As forças de segurança encontraram diversos cilindros de gás na residência.

O irmão mais velho de Moussa, Driss Oukabir, de 18 anos, está detido em Ripoll. Ele se apresentou voluntariamente à delegacia após ver sua foto rodar nas redes sociais como o principal suspeito do atentado em Las Ramblas. Apesar de negar ligação com o ataque, o homem é mantido preso pela polícia, que investiga se Moussa usou os documentos do irmão para alugar as vans. Outra pessoa, cuja a identidade ainda não foi revelada, também está presa em Ripoll e a polícia anunciou a detenção de um quarto suspeito na manhã desta sexta-feira.

O que aconteceu em Cambrils?

Já na madrugada de sexta-feira (horário local), a polícia realizou uma operação em Cambrils, cerca de 110 quilômetros a sudoeste de Barcelona, e matou cinco suspeitos. Os homens estavam em um veículo que avançou contra civis e deixou seis feridos. Todos levavam cinturões explosivos, mas as autoridades detectaram que eram falsos. "Trabalhamos com a hipótese de que os terroristas abatidos em Cambrils estejam relacionados com os fatos registrados em Barcelona e Alcanar", disseram os Mossos d'Esquadra. Eles usavam aparatos similares a coletes explosivos.

Por que a Espanha?

Se confirmada a autoria do Estado Islâmico, a Espanha terá sido alvo de um atentado jihadista pela segunda vez. Na primeira, em 2004, pelas mãos da Al Qaeda, o país mantinha tropas no Iraque, e o ataque acabou levando à retirada dos militares espanhóis da nação árabe.

Atualmente, Madri participa da coalizão internacional que combate o EI no Oriente Médio. Ainda que sua participação seja apenas por meio de apoio logístico e de inteligência, a Espanha é um potencial alvo da milícia terrorista.

Além disso, parte da Península Ibérica, principalmente a região que hoje corresponde à Andaluzia, permaneceu sob domínio muçulmano por quase 800 anos, entre 711 e 1.492. Há cerca de duas semanas, simpatizantes do Estado Islâmico lançaram apelos nas redes sociais pedindo "ataques iminentes" na Espanha e a "reconquista de Al-Andalus", como era chamada a península até ser retomada pelos cristãos.

Esse período de aproximadamente oito séculos coincide com a Idade de Ouro Islâmica, por isso "Al-Andalus" é usada frequentemente nas mensagens de propaganda jihadista.

Fonte: ANSA

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