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Aumento nas temperaturas do planeta deve dificultar voo de aeronaves comerciais

Em média, de 10 a 30 por cento dos voos decolando durante os momentos mais quentes do dia precisarão ficar mais leves para conseguirem sair do chão

15:05 | 14/07/2017
Parte de trás do Aeroporto Pinto Martins em Fortaleza
Parte de trás do Aeroporto Pinto Martins em Fortaleza

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O efeito estufa causará o aumento das temperaturas, isso todo mundo já sabe. No entanto, para além dos problemas ambientais a partir disso e do desconforto no clima mais hostil, isto também dificultará o processo para um avião conseguir voar, foi o que revelou um estudo da Columbia University publicado nesta quinta-feira, 13, na Climatic Change.

Os especialistas realizaram projeções com cinco dos modelos de aeronaves comerciais mais comuns e simulações incluindo 19 dos maiores aeroportos ao redor do mundo. Além disso, levaram em conta os aumentos das temperaturas se baseando nos modelos do World Climate Research Program’s (ou Programa de Pesquisa do Clima Mundial, em tradução livre). A conclusão é de que, em média, de 10 a 30 por cento dos voos decolando durante os momentos mais quentes do dia precisarão ficar mais leves para conseguirem sair do chão. Por esse motivo atrasos e cancelamentos poderão ficar mais comuns enquanto as companhias aéreas ainda estão pegando o jeito em como lidar com o calor extremo.

A explicação está no ar quente se tornar muito menos denso. Com isso o avião precisará estar mais leve e alcançar uma velocidade muito maior para que consiga sair do chão ou se manter nas alturas com o ar em volta em tais condições. Por conta desse problema de sustentação, muitas pistas precisarão se estender em vários aeroportos, pois o tamanho atual não leva em conta a maior velocidade que precisará ser alcançada para decolar quando altas temperaturas estiverem ocorrendo.

Outras medidas que poderão ser tomadas vão desde melhorar o desempenho e eficiência dos motores, até os controladores de voo organizarem os voos de aeronaves mais pesadas e com mais carga para realizar as manobras durante horários mais frios dos dias nos aeroportos (como já é feito em Dubai).

Todas as aeronaves serão afetadas, grandes (como as construídas pela Boing e Airbus) - que conseguem operar até temperaturas de quase 53 °C - e pequenas - que funcionam até quase 48 °C. Aeroportos que ficam localizados muito acima do nível do mar (em grandes altitudes) serão os mais difíceis de operar. O motivo é o ar ainda mais rarefeito, ou seja, menos denso, nessas altitudes.

De acordo com o portal americano The Verge, os especialistas definiram que, mesmo com as melhorias, certo caos no futuro das viagens aéreas será inescapável: "Contudo, mesmo com a adaptação, potencialmente incluindo novos designs para aviões, a performance da decolagem ainda será possivelmente menor do que seria caso não houvesse redução na densidade do ar e menor desempenho dos motores e da impulsão em temperaturas maiores devido a mudança no clima". Escreveram os pesquisadores, e adicionaram: "Esse fato é verdadeiro para todos os impactos do clima: até se eles puderem se adaptar a isso, eles ainda têm um custo".

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