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Homo sapiens é mais velho do que se imaginava, aponta estudo

Fósseis apontam que Homo sapiens surgiu 100 mil anos antes

10:27 | 08/06/2017
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O Homo sapiens, o ser humano anatomicamente moderno, é mais antigo do que se imaginava. Fósseis descobertos em montanhas do interior do Marrocos sugerem que o primata bípede habitava o continente africano há pelo menos 300 mil anos, ou seja, 100 mil anos antes de sua "data de nascimento" oficial.

A pesquisa, publicada na revista "Nature" e coordenada pelo instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, revelou também que fósseis de animais encontrados permitiram que a dieta do ser humano daquela época fosse reconstruída. Ela tinha como base carne de gazela, zebra, avestruz, além de ovo.

A análise dos restos indicaram que os primeiros representantes do Homo sapiens se alimentavam também de moluscos de água doce, porcos, lebres, tartarugas e serpentes. "Parece que eram apaixonados pela caça", comentou Teresa Steele, pesquisadora da Universidade da Califórnia, que analisou os fósseis. Os cortes e fraturas achados nos ossos mais longos indicam ainda que os primatas os rompiam para se alimentarem de medula.

[FOTO2]As ossadas foram encontradas no sítio arqueológico de Jebel Irhoud e ajudaram os historiadores a reescreverem as origens do Homo Sapiens. Segundo eles, antes de emigrarem para a Europa, os primatas já tinham se realocado por todo o continente africano, e não apenas Etiópia e na região Subsaariana, como se acreditava até agora.

O sítio arqueológico em Marrocos, foi onde esses fósseis foram encontrados. Contudo, as primeiras escavações que resultaram em descobertas de ossadas humanas ocorreram nos anos 60. Apesar de na época as ossadas terem sido consideradas como datando de 40 mil anos atrás, especialistas começaram a suspeitar que essa avaliação da idade das amostras estivesse errada. Por isso em 2004 o sítio reabriu e durante os sete anos seguintes os arqueólogos encontraram mais restos humanos, incluindo uma mandíbula e crânios correspondentes a cinco pessoas, entre adultos, adolescentes e crianças.

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Também foram encontrados ossos de animais que possivelmente foram despedaçados e cozinhados, além de ferramentas de pedra que foram queimadas em algum momento. Todos estavam na mesma camada de terra e isso indica que todos têm aproximadamente a mesma idade. Encontrar as ferramentas de pedra foi uma oportunidade de encontrar a idade daquela camada de terra, pois a partir delas os pesquisadores puderam medir quantos elétrons se acumularam naqueles objetos com o passar dos milênios. Assim, a camada de terra e todas as amostras lá encontradas foram estabelecidas como de algo em torno de 315 mil anos atrás. Os restos mais antigos antes deles foram achados em Omo Kibish, na Etiópia, e tinham cerca de 195 mil anos.

A partir dos fragmentos do crânio foram reconstruídas virtualmente as faces desses antigos humanos que antes viviam naquele lugar. As características do rosto eram pequenas e as faces deles ficavam embaixo da caixa craniana, em vez de pronunciada para frente, como acontecia com outras espécies, como os neandertais. Os pesquisadores explicaram que esse é o tipo de rosto que poderia ser encontrado hoje em dia cruzando na rotina de uma cidade. Porém, essa caixa craniana era mais primitiva, mais plana e longa em vez de alta e arredondada como a nossa. Por isso que os pesquisadores pensam que os antigos habitantes de Jeberl Irhoud são uma fase evolutiva anterior dos Homo sapiens, como se estivessem no meio do caminho evolutivo entre o Homo heidelbergensis e nós.

Essa conclusão não foi aceita pela comunidade científica como um todo. O paleontologista Johm Hawks da universidade de Wisconsin-Madison disse para um dos pesquisadores (que liderou o estudo sobre os achados de Marrocos) que "não estão adicionando nada exceto a data (idade dos achados)". Hawks adicionou que ele não pensa que os achados são uma garantia de que se possa criar uma nova categoria de "precursores dos humanos modernos". Isso para descrever uma mistura de traços primitivos e modernos.

Fonte: ANSA

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