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Suécia arquiva investigação por estupro contra fundador do WikiLeaks

09:46 | 19/05/2017

Julian Assange venceu nesta sexta-feira sua disputa com a justiça sueca, que anunciou o arquivamento da investigação por estupro contra o fundador do WikiLeaks refugiado na embaixada equatoriana em Londres.

Apesar da decisão e na ausência de um mandado de detenção europeu, a polícia britânica advertiu que seria "obrigada" a prender Julian Assange caso ele deixe a embaixada. Em 2012 ele violou as condições de sua liberdade condicional no Reino Unido.

Quanto à parte sueca, "o caso Assange" termina em um fiasco judicial. Este é o fim de uma batalha amarga de procedimentos e de comunicação, cujos desafios foram além do dossiê instruído no país escandinavo.

O desenlace é uma vitória para o ex-hacker australiano, que sempre negou as acusações apresentadas contra ele por uma sueca em agosto de 2010, e denunciou uma manobra para ser extraditado posteriormente aos Estados Unidos, onde poderia ser julgado pela divulgação de documentos militares e diplomáticos americanos de caráter confidencial.

O governo de Donald Trump afirmou em abril que a prisão do australiano era uma "prioridade". E de acordo com meios de comunicação citando autoridades americanas, os Estados Unidos estão tentando montar uma acusação.

Em declarações à imprensa em Estocolmo, a promotora Marianne Ny anunciou que "decidiu arquivar a investigação por suposto estupro contra Julian Assange", e pediu o levantamento do mandado de detenção europeu em vigor desde 2010.

Faltando três anos para a prescrição do caso, a magistrada explicou que jogou a toalha em razão da ineficiência de um procedimento excepcionalmente longo, e não à luz de novos fatos.

"Todas as possibilidades de fazer a investigação avançar foram esgotadas (...) e não parece adequado manter o pedido de detenção provisória contra Julian Assange ou mandado de detenção europeu", argumentou.

Em fevereiro 2016, um grupo de trabalho da ONU criticou o ritmo lento da investigação e pediu que a Suécia e o Reino Unido indenizassem o ex-hacker por "detenção arbitrária".

A promotora Ny considerou ser "improvável o retorno (de Assange) à Suécia em um futuro próximo". O arquivamento da investigação "não é o resultado de uma revisão abrangente das evidências" e a justiça sueca "não se posiciona sobre a questão de culpabilidade", comentou.

"É uma vitória total para Julian Assange. Está livre para deixar a embaixada quando quiser", comemorou um advogado sueco de Assange, Per Samuelsson. "Ele está naturalmente feliz e aliviado. Mas critica o fato de ter durado tanto tempo", declarou à rádio sueca SR.

O advogado relatou que o australiano enviou a ele um SMS: "Sério, oh meu deus". Julian Assange postou no Twitter uma foto dele mesmo sorrindo.

Para Christophe Marchand, membro da equipe jurídica do ex-hacker em Bruxelas, "Julian Assange foi vítima de um abuso enorme" e o arquivamento da investigação na Suécia "marca o fim do seu pesadelo".

Mas a ameaça de uma prisão persiste. "A Grã-Bretanha anunciou que irá prender Assange independentemente do que aconteça e se recusa a confirmar ou negar que já recebeu um pedido de extradição dos Estado Unidos", tuitou o WikiLeaks.

A justiça britânica "emitiu uma ordem de prisão de Julian Assange quando não se apresentou ao tribunal em 29 de junho de 2012", recordou a polícia britânica em um comunicado, no qual indica que "está obrigada a executar a ordem", mas o australiano enfrentaria "um delito muito menos sério" que o de estupro, do qual foi suspeito até esta sexta-feira.

Em Estocolmo, a denunciante sueca que acusa Julian Assange de estupro, considera um "escândalo" o arquivamento do processo e, "chocada", mantém as acusações, afirmou a advogada Elisabeth Fritz.

"É um escândalo que um suposto estuprador possa escapar da justiça e evitar assim os tribunais (...) Minha clienta está chocada e nenhuma decisão de arquivar o caso pode mudar o fato de que Assange a violentou", escreveu a advogada em um e-mail enviado à AFP.

A denunciante, que tinha por volta de 30 anos no momento dos fatos, esperou em vão durante sete anos que o australiano, de 45 anos, fundador do WikiLeaks, fosse detido.

Ela o acusa de ter mantido uma relação sexual desprotegida enquanto ela dormia, na noite de 16 para 17 de agosto de 2010. Julian Assange argumenta que ela consentiu e concordou em não usar preservativo.

O processo de instrução na Suécia, atrasado principalmente pela recusa de Assange de ser ouvido na Suécia, arrastou-se por tanto tempo que a denúncia de outra jovem por uma agressão sexual na mesma época foi prescrita em 2015.

O Equador, que concedeu asilo a Assange, denunciou uma semana antes do epílogo, em uma carta ao governo sueco, "a manifesta falta de progresso" na investigação.

 

AFP

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