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Hominídeos primitivos e homem moderno podem ter coabitado na África

08:53 | 09/05/2017

Hominídeos primitivos podem ter coexistido na África com os primeiros seres humanos modernos, anunciaram nesta terça-feira pela primeira vez cientistas, um cenário que complica ainda mais a árvore genealógica da espécie humana.


De acordo com pesquisas, a datação de fósseis descobertos em 2013 em uma caverna no sítio arqueológico de Maropeng, perto de Johannesburgo, sugere que estes primos muito distantes viveram há entre 200.000 e 300.000 anos, no mesmo período que os primeiros Homo sapiens. Estes antepassados são os Homo naledi, uma nova espécie cuja descoberta agitou a ciência.

 

Em 2015, o controverso paleontólogo americano Lee Berger ocupou as manchetes ao anunciar a descoberta em Maropeng de uma rica coleção de 1.500 ossos de quinze hominídeos de um tipo inédito. A análise dessas ossadas revelou o retrato de um humanoide deslumbrante, dotado com características de espécies de vários milhões de anos, como um pequeno cérebro, e de outras mais recentes, como pés contemporâneos e mãos capazes de segurar ferramentas.

 

Lee Berger imediatamente ordenou seu achado no gênero Homo, a do homem moderno. Mas depois de não conseguir datar esses fósseis, atraiu a ira de muitos colegas que negaram qualquer novidade. Nesta terça-feira, o professor da Universidade de Witwatersrand e sua equipe revelaram a idade dos ossos. Seus resultados são surpreendentes. Os Homo naledi viveram entre 335.000 e 236.000 anos atrás, "no início do que nós consideramos como o começo da era dos humanos modernos", segundo Berger.

 

"Eles são surpreendentemente jovens", entusiasmou-se diante da imprensa. "Esta é uma espécie primitiva que sobreviveu por milhões de anos e que havia permanecido invisível". Casos de coabitação entre espécies já foram identificados. Na Europa, por exemplo, o homem de Neandertal cruzou seu caminho com o Homo sapiens antes de sua extinção há 30.000 anos. Mas este cenário jamais havia sido traçado na África.

 

"Estamos constatando que houve na África durante os últimos estágios da nossa evolução uma variedade de espécies que ninguém esperava", declarou outro membro da equipe, John Hawks, da Universidade de Wisconsin. "A árvore da nossa família tem vários ramos e foi só muito recentemente que um único se impôs", lembra Paul Dirks, da Universidade John Cook da Austrália.

 

"A datação destes fósseis sugere muitas possibilidades de trocas (...) entre o Homo sapiens e o Homo naledi". "Este pode ser um elo perdido crucial na história da nossa evolução", acrescentou o professor Berger. O paleontólogo também anunciou nesta terça-feira a descoberta de mais uma coleção de fósseis de Homo naledi em uma caverna próxima à de sua primeira descoberta. Entre eles, um esqueleto bastante completo, incluindo um crânio muito bem preservado, apelidado de "neo", "presente" na língua local sesotho.

 

"Homo naledi (estrela em sesotho) é definitivamente uma nova espécie, este material bem preservado confirma a morfologia dos fósseis com a qual já estamos trabalhando", ressaltou Lee Berger a seus críticos. O paleontólogo também voltou a falar sobre uma outra controvérsia relativa a sua descoberta inicial. Em 2015, ele afirmou que a presença de ossos em uma caverna quase inacessível significava que ela era de fato um tumba e que o Homo naledi praticava ritos funerários, uma prática até então atribuída unicamente aos seres humanos modernos.

 

Sua hipótese suscitou muitas provocações de seus pares, mas Lee Berger persistiu nesta terça-feira, revelando que o caminho para o local de sua segunda descoberta era tão estreito quanto o primeiro. "Isso reforça, creio eu, a ideia de que o Homo naledi utilizava essa caverna com um objetivo particular e potencialmente (...) que o Homo naledi enterrava seus mortos lá", insistiu. Suas descobertas foram publicadas na revista científica eLife e, segundo Lee Berger, estão abertas a críticas. 

 

AFP 

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