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FMI acompanha situação no Brasil, mas mantém 'por enquanto' sua previsão

11:48 | 19/05/2017

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou nesta sexta-feira que mantém "por enquanto" sua previsão de crescimento de 0,2% este ano no Brasil, mas acompanha de perto a aguda instabilidade política no país.

Acusado por denúncias de corrupção, o presidente Michel Temer assegurou na quinta-feira que não irá renunciar, mas as declarações contra ele sacudiram a economia, ao ponto de a Bolsa de São Paulo ter que interromper temporariamente suas operações ao cair mais de 10%.

 

Em um relatório publicado nesta sexta-feira em Washington, o Departamento para o Hemisfério Ocidental do FMI manteve a previsão de 0,2% para o PIB brasileiro neste ano, que já havia expressado em abril. É "muito prematuro avaliar as consequências dos eventos que ainda estão em andamento", declarou o diretor deste departamento, Alejandro Werner, em uma coletiva em São Paulo.

 

Werner assinalou que a "volatilidade aumentou ontem [quinta-feira] em resposta aos recentes eventos", fazendo referência à incerteza sobre a continuidade de Temer à frente do governo e a renúncia de um seus ministros. "Estaremos acompanhando de perto a situação nas próximas semanas para avaliar se precisaremos alterar nossa projeção. Por enquanto mantemos a previsão" de crescimento, expressou o economista.

 

Há apenas um mês, durante a reunião anual do FMI e do Banco Mundial em Washington, a diretora-geral Christine Lagarde expressou a impressão de que a maior economia da América Latina parecia ter "feito a curva" depois de dois anos de recessão. O Brasil viveu um forte retrocesso de 3,8% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 e em 2016 a queda foi de 3,6%, em uma sequência que representa os piores resultados da série histórica iniciada em 1948.

 

No entanto, nesta mesma conferência de imprensa, Christine Lagarde havia ressaltado que o sucesso dos esforços para combater a corrupção eram de importância "crítica". A crise política brasileira sofreu uma enorme escalada na quarta-feira à noite com a divulgação de informações sobre uma gravação em que o presidente Michel Temer dá seu aval ao pagamento de propina para comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que está preso acusado de ter aceitado milhões de dólares em subornos.

 

Na quinta-feira, Temer rechaçou enfaticamente a possibilidade de renunciar depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a abertura de um inquérito contra ele. Temer enfrenta agora oito solicitações de impeachment apresentadas no Congresso e uma dura batalha para manter sua base aliada unida.

 

AFP

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