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Saiba como pode ficar a relação bilateral após o atentado

Após o ataque que causou a morte do embaixador russo, na Turquia, a relação entre os dois países torna-se delicada, principalmente, por estarem em lados opostos no conflito da Síria

18:57 | 19/12/2016
Putin e Erdogan se cumprimentando
Putin e Erdogan se cumprimentando

[FOTO1]A morte do embaixador russo, Andrei Karlov, por um atirador, ainda não identificado, nesta segunda-feira, 19, na cidade de Ancara, na Turquia, torna a relação bilateral entre os dois países mais delicada. O diplomata participava da abertura de uma exposição fotográfica na galeria de arte Gadgas Sanatlar Merkezi. Segundo o correspondente do jornal Hurriyet, o atirador citou algo sobre ‘Aleppo’ e vingança. Dias antes do ataque, houve protesto contra o papel da Rússia no conflito da Síria. Os manifestantes acusavam o país de ter cometido crimes contra os direitos humanos em Aleppo, na Síria.

Tanto a Rússia quanto a Turquia estão envolvidos na guerra da Síria, que reúne inúmeros conflitos de nível local, regional e global. A participação dos dois países visa conquistar influência e ter domínio no Oriente Médio. O professor de Relações Internacionais da Universidade de Fortaleza (Unifor), Phillipe Hubert, acredita que a crise na relação entre Rússia e Turquia após o atentado pode ficar restrita apenas no âmbito diplomático. “Terá mais um impacto diplomático, mas não econômico. Nem um nem outro podem entrar em um conflito aberto. Há outras prioridades que necessitam de apoio mútuo”, palpita o professor devido as dependências econômicas entre os dois países.

 

%2bLeia Mais: Putin: assassinato de embaixador mina relações russo-turcas e paz na Síria


Ele ressalta que o atentado sofrido pelo governo russo não é o primeiro a abalar a relação bilateral, envolvendo os dois estados. No mês de novembro do ano passado, a Turquia havia derrubado um avião russo que iria bombardear rebeldes sírios. Na guerra da Síria, a Rússia apoia o ditador Bashar al-Assad, enquanto a Turquia é aliada dos rebeldes.

 

 

“Os iranianos, que são apoiados pelos russos, são xiitas. Os árabes (apoiados pelos EUA) e turcos (membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN) já são sunitas. O ditador Bashar al-Assad é um aliado muito tradicional tanto dos iranianos quanto dos russos. É um alauita que tem mais proximidade com os xiitas”,diz o professor.

 

 

O motivo religioso não é a única razão. Há interesses econômicos e geopolíticos inseridos nesse contexto. Phillipe explica que a Rússia visa ter influência na Síria por ser um país ao sul da Turquia e que dá acesso ao Mar do Mediterrâneo. A ex-potência comunista depende do Estreito de Bósforo, que pertence à Turquia, para ter acesso ao Norte da África e a Europa Ocidental. Já a Turquia pretende restabelecer o domínio do Oriente Médio. “O país (Turquia) tem uma tradição histórica de domínio naquela região e o presidente Turco, Recep Tayyip Erdo%u011Fan, tem uma postura no mínimo suspeita de retomar aquela região”, afirma.

 

 

Mesmo estando em lados opostos, a Turquia é o principal comprador de gás e petróleo russo. No último mês de outubro, os dois países assinaram um acordo para a construção do gasoduto Turkish Stream, implicando na importação dos produtos a preço mais barato para os turcos.

 

 

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