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Campanha de Trump vacila, após agressivo debate com Hillary

15:59 | 10/10/2016

A campanha de Donald Trump sofreu um duro golpe nesta segunda-feira, 10, depois que o presidente da Câmara de Representantes e uma das mais importantes lideranças republicanas, Paul Ryan, sugeriu que a vitória da democrata Hillary Clinton é inevitável na eleição de 8 de novembro.

Trump e Hillary voltaram a pôr o pé na estrada hoje, mas a campanha do republicano sofreu o baque da falta de apoio partidário, ao mesmo tempo em que uma nova pesquisa aponta uma vantagem de dois dígitos para a ex-secretária de Estado.

Em teleconferência com congressistas nesta segunda, Paul Ryan deu a entender que a cúpula do partido já considera a vitória de Hillary um fato consumado.
Ryan "disse que dedicará toda sua energia para evitar que Hillary receba um cheque em branco com um Congresso de maioria democrata", comentou uma fonte que participou da reunião.

Em pesquisa divulgada hoje pelo Wall Street Journal, a democrata aparece com uma vantagem de 11 pontos em relação a Trump, com 46% contra 35%.
O jornal destacou que a pesquisa foi realizada antes do segundo debate presidencial, no domingo à noite.

A apenas quatro semanas das eleições, os candidatos viajaram para estados-chave para a disputa. Trump seguiu para a Pensilvânia, e Hillary iniciou uma turnê por Michigan e Ohio para cortejar os eleitores.

A teleconferência de Ryan com os representantes colocou Trump, definitivamente, contra a parede. Ryan é o político republicano com o mais alto cargo eletivo na atualidade, sendo, portanto, um líder com enorme influência sobre a máquina partidária.

Na conversa, Ryan disse aos correligionários que não defenderá nem fará campanha por Trump e chegou a sugerir a seus interlocutores que dava seu sinal verde para que também se distanciassem da candidatura do polêmico milionário.
"Vocês devem fazer o que for melhor para vocês em seus distritos", afirmou, de acordo com a mesma fonte.

A posição de Ryan não é exatamente uma surpresa, mas, ainda assim, é um golpe devastador no já instável apoio do partido a Trump.
Esse quadro, que deixa o candidato praticamente isolado das fileiras republicanas, acelerou-se rapidamente com o escândalo deflagrado na sexta-feira, 7, sobre as declarações de Trump.

Em um vídeo de 2005, o magnata aparece se gabando de sua condição de celebridade para abusar sexualmente de mulheres que cruzavam seu caminho.
No debate de ontem, Trump reiterou seu pedido de desculpas e afirmou, mais uma vez, que foi apenas uma "conversa de vestiário". Também voltou a atacar o ex-presidente Bill Clinton, o marido de Hillary, alegando que era "abusivo com mulheres" e "muito pior".

Trump chegou a convidar para o debate quatro mulheres que há anos acusam o ex-presidente de assédio. O gesto motivou uma saraivada de críticas.

Hoje, o companheiro de chapa de Trump, Mike Pence, elogiou que Trump tenha "mostrado seu coração" no debate, ao pedir desculpas pelas declarações divulgadas na sexta-feira, e destacou que esta eleição é sobre "um confronto entre dois futuros" diferentes para o país.

No fim de semana, porém, Pence chegou a afirmar ter-se sentido "ofendido" com as declarações de Trump sobre as mulheres e que não poderia "defender" essas palavras. Hoje, negou qualquer intenção de deixar a chapa.

Em mais uma declaração polêmica que causou fortes reações, no debate de ontem, Trump afirmou que, se eleito, Hillary terminaria "presa". "É muito bom que alguém com o temperamento de Donald Trump não esteja encarregado da lei neste país", disse a democrata em um momento do debate, ao que Trump rebateu: "porque você estaria presa".

Para Robby Mook, um dos assessores de Hillary, "Trump tenta mudar o curso de sua campanha, mas acho que ele está apenas se afundando mais com esses ataques".

Na opinião de Mook, "é de dar medo que Trump pense que a presidência é como em uma república bananeira, onde você pode mandar seus adversários políticos para a prisão".

AFP
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