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G20 se reúne na China com pouca margem para reativar economia mundial

Os países do G20 se reúnem neste fim de semana na China em uma cúpula marcada pelos interesses divergentes e pelos conflitos geopolíticos

10:57 | 01/09/2016

A China, que neste ano preside o fórum dos 20 países mais ricos do mundo, tem um programa modesto para a cúpula de chefes de Estado e de governo de 4 e 5 de setembro na cidade de Hangzhou: transformar a economia mundial para que seja mais "inovadora, vigorosa, interconectada e inclusiva", segundo o programa oficial.


O contexto econômico mundial continua sendo sombrio e após o Brexit no Reino Unido o Fundo Monetário Internacional (FMI) rebaixou suas previsões de crescimento para 2016 e 2017 a 3,1% e 3,4%.
"Não há interesses comuns entre as principais economias mundiais", afirma à AFP Christopher Balding, professor de economia da Peking University HSBC Business School. "Nota-se que há pouca urgência em tomar grandes iniciativas políticas em Hangzhou", afirma Qu Hongbin, um analista no HSBC. "A preocupação pela depreciação do iuane (a moeda chinesa) e pelo crescimento diminuíram, a economia chinesa se estabilizou e as turbulências do Brexit são, até o momento, limitadas", indica.


O G20 reúne as principais economias mundiais dos países desenvolvidos e emergentes e, em conjunto, seus países representam 85% do produto interno bruto mundial, assim como dois terços da população do planeta. Em 2014, na cúpula da Austrália, os líderes do G20 prometeram aumentar em 2,1% o crescimento do PIB até 2018, mas desde então o entorno se degradou.
Em 2015, a porcentagem de cumprimento das promessas do G20 caiu a 63%, segundo dados da Universidade de Toronto, que a atribui à falta de reformas estruturais. Apesar de suas promessas de conquistar um crescimento forte, sustentável e equilibrado, o G20 "não está cumprindo nenhum destes três objetivos", afirma Tristram Sainsbury, do centro de estudos do G20 no Australia Lowy Institute.


A diferença entre as situações econômicas de cada país complicam muito a tomada de decisões conjuntas. Os Estados Unidos estão estudando um aumento das taxas de juros e o Japão segue sua política de expansão monetária. Além disso, a China continua gerando desconfiança pela desvalorização de sua moeda, pela explosão de sua dívida e seu excesso de capacidade na produção, em especial do aço, uma questão que será tratada à margem da cúpula.
Os três países latino-americanos do G20 também chegam com interesses distintos ao fórum. O Brasil está afundado em sua pior recessão em quase um século e vive uma profunda crise política que culminou no processo de impeachment de Dilma Rousseff. Na Argentina o governo de Mauricio Macri tenta lançar um amplo programa de reformas que gera protestos cidadãos, enquanto no México o endividamento público e as dificuldades do setor petrolífero acenderam alguns alarmes.

Em Hangzhou também estarão sobre a mesa questões como a transparência financeira - após o caso dos Panama Papers - a luta contra o financiamento do terrorismo ou a colocação em prática do acordo sobre o clima de Paris.
Também não será fácil alcançar um acordo em matéria comercial devido ao ressurgimento da "mentalidade protecionista", afirma Andrew Polk, do Medley Global Advisors, à qual se soma o possível fracasso do grande acordo comercial entre Europa e Estados Unidos.


Desde 2009, o crescimento dos intercâmbios comerciais está estancado abaixo de 3%. E, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2016 cada país membro do grupo tomou mensalmente uma média de 20 medidas que restringem o intercâmbio de bens. Por sua vez, a União Europeia insistirá na necessidade de um "livre câmbio justo" e em lutar contra a sobreprodução industrial, segundo um diplomata europeu.

 

Tudo isso em um contexto de importantes conflitos, como a guerra na Síria ou as aspirações territoriais da China no mar da China Meridional, que podem marginalizar as questões puramente econômicas. No entanto, Pequim já advertiu que não quer politizar a cúpula. Em Hangzhou, o presidente americano, Barack Obama, planeja se reunir com seu colega turco, Recep Tayyip Erdogan, para falar da Síria, onde o conflito é cada vez mais complexo desde a recente intervenção militar turca.

AFP
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