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Os refugiados, a Alemanha e as redes sociais

17:36 | 27/08/2016
Sírios Mohammad Khalefeh e Mohammad Ghunaim entre apresentadores da DW Mischa Heuer e Maissun MelhemFugindo da guerra e da morte, muitos registram seu trajeto passo a passo em fotos e vídeos, que disponibilizam na mídia social. DW promoveu em Berlim um debate sobre o papel das comunidades digitais na crise migratória. O governo alemão realizou, neste sábado (27/08), um Dia das Portas Abertas, franqueando à visitação pública várias de suas instituições. A Deutsche Welle também participou do evento com um debate sobre o papel da mídia social na crise migratória. Como ponto de partida, dois refugiados falaram sobre como as redes marcaram seu trajeto, muitas vezes tortuoso e sofrido, do Oriente Médio até a Europa. O sírio Mohammad Khalefeh nasceu em Aleppo, cresceu em Damasco e há 14 meses mora na Alemanha. Mohammad Ghunaim, igualmente da capital síria, está há oito meses no país. Ambos fugiram da guerra civil, passando pela Turquia, o Mar Mediterrâneo, a Grécia e a assim chamada rota dos Bálcãs em direção ao norte. O que vivenciaram está documentado em fotos e vídeos, feitos por eles mesmos na longa e perigosa jornada. "Meu smartphone se transformou como em meu irmão, durante a minha fuga", conta Ghunaim. Ele ainda utiliza o mesmo aparelho e não quer trocá-lo, pois se tornou seu recurso de sobrevivência. "Para mim, é como um mini-escritório, eu faço tudo com ele." Quanto fala com a mãe em Damasco, ele escuta o barulho de detonação de bombas, uma informação que partilha através das redes sociais. Por esse meio, ele também disponibilizou os vídeos e fotos de sua migração. Para Ghunaim, trata-se de uma mensagem aos europeus e os alemães, mostrando aquilo por que passam os que tentam escapar da guerra e da morte. O ponto de vista pessoal Muitos refugiados igualmente registram o próprio trajeto. Facebook, Twitter e Instagram se transformaram num mural digital, um repositório de informações também para os jornalistas, explica o redator da DW Mischa Heuer, que mediou o debate ao lado da apresentadora Maissun Melhem. "São relatos de testemunhas oculares, testemunhos em primeira mão." Há tanta gente migrando pelo mundo, por tantas rotas e locais, que a mídia tradicional jamais seria capaz de abarcar todas essas histórias. Por isso, para a DW o exame do Twitter, Facebook e companhia se tornou parte integrante da pesquisa jornalística, explica Heuer. Ele fala de um game changer: na crise migratória, as redes sociais "mudaram o jogo". De que outra forma os refugiados poderiam manter seus familiares informados na terra natal? Como, apesar das rotas em permanente mudança, os migrantes conseguiriam achar os caminhos que efetivamente levam até a Europa? Como os voluntários se organizariam em nível nacional? Como os traficantes de pessoas o lado obscuro da fuga teriam podido encontrar seus "fregueses"? No debate público "Mídias sociais na crise dos refugiados", Mohammad Khalefeh contam que encontrou "seu" traficante pelo Facebook. "Ele me escreveu pelo Messenger que a gente podia se encontrar em Izmir, e aí ele me diria quanto ia custar." Tomando como base os vídeos e fotos postados pelos refugiados no Twitter, Facebook e outras plataformas, no início de 2016 a Deutsche Welle produziu um documentário de 90 minutos intitulado #MyEscape. Mohammad Ghunaim trabalhou no filme, também o material registrado por ele foi incluído. "São imagens que não se encontra nem mesmo nos mais corajosos filmes de Hollywood", resume a apresentadora Maissun Melhem. Autor: Sabine Kinkartz (av)
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