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Brasileiro Robson Conceição vai atrás da primeira medalha de ouro nos ringues

05:40 | 16/08/2016

Os pugilistas Robson Conceição, do Brasil, e Sofiane Oumahi, francês, jamais se enfrentaram. Mas o primeiro confronto certamente será inesquecível - nesta terça-feira, às 19h15, no Riocentro, eles vão disputar a medalha de ouro na categoria dos pesos ligeiros (até 60 kg) dos Jogos Olímpicos do Rio. Se vencer, Robson se tornará o primeiro lutador nacional a conquistar um ouro e entrará para a galeria de medalhistas formada por Esquiva Falcão, prata, e Yamaguchi Falcão e Adriana Araújo, bronze, todas em Londres-2012, além do terceiro lugar conquistado por Servílio de Oliveira, no já distante Cidade do México-1968.

�Robson tem 99% de conquistar o ouro�, disse Esquiva Falcão, em entrevista ao canal SporTV. �A luta mais difícil foi vencida na semifinal, contra o cubano Lázaro Álvarez�. De fato, com golpes bem aplicados (sobretudo no terceiro round), o brasileiro venceu por pontos o tricampeão mundial da categoria. O triunfo despertou uma indisfarçável euforia na comissão técnica, emoção que não chegou a contaminar Robson Conceição - concentrado para a luta, prefere ficar em seu quarto quando não está no treino.

Dispensa assistir outras lutas ou mesmo outros esportes e só não abre mão de alguns joguinhos de computador para relaxar um pouco. Manteve distância também das redes sociais, voltando apenas após a vitória sobre o cubano para receber carinho dos fãs - como da cantora Ivete Sangalo, que escreveu: �Talento e sabedoria são seu forte�.

Aos 27 anos, baiano de São Caetano, bairro pobre de Salvador, Robson disputa a sua terceira e última Olimpíada - depois dos Jogos, pretende se tornar profissional. �E, se vencer a medalha de ouro, o caminho deverá ser mais fácil�, acredita ele, que também é sargento na Marinha.

Convites não faltaram para que essa transição fosse feita antes mesmo da Olimpíada do Rio. Os irmãos Esquiva e Yamaguchi Falcão e Everton Lopes, campeão mundial em 2011, não resistiram à tentação e tornaram-se profissionais antes de disputar a Olimpíada em casa. Robson seguiu no amadorismo - bem remunerado, por sinal, inclusive com bolsas para lutar na APB - e agora colhe os frutos da decisão.

O garoto, que chegou ao boxe pensando em ganhar brigas de rua no carnaval de Salvador, foi lapidado por Luiz Dórea, também responsável pela formação de Acelino "Popó" de Freitas, Adriana Araújo e Junior Cigano, entre outros. Caiu na estreia tanto em Pequim-2008 quanto em Londres-2012, sempre para boxeadores da casa, mas evoluiu no último ciclo. Foi prata no Mundial de 2013, bronze no de 2016 e levou o Continental de 2015, vencendo o cubano Álvarez na final. Também no ano passado, chegou a liderar o ranking mundial.

Agora, mais próximo do principal prêmio olímpico, Robson descobriu na judoca Rafaela Silva, medalha de ouro na categoria leve, sua principal inspiração. �Ela também veio de baixo, da favela, como eu, e nada melhor que tê-la como referência e seguir seu exemplo�.

Para isso, ele precisará derrubar (por nocaute ou pontos) o jovem francês de 21 anos, que estreia em uma Olimpíada. Apesar da pouca idade, Sofiane Oumahi gosta de lembrar que ficou sete anos invicto durante a fase de transição entre o final da infância e a adolescência, ou seja, dos 11 aos 18 anos. Sua primeira derrota aconteceu em 2012 para o russo Khusein Baysangurov, que agora luta profissionalmente.

Abandonar o amadorismo, aliás, não faz parte de seus planos - Oumahi já coloca os Jogos de Tóquio, em 2020, como meta em sua carreira, que inclui ainda ensinar boxe a crianças. Mas isso só daqui a muitos anos. Por ora, além da dedicação integral ao boxe, o francês curte outros esportes como o futebol. Neste caso, tem Neymar e Cristiano Ronaldo como grandes ídolos.

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