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EUA: Presidentes regionais do Fed pressionam contra revisão do banco central

19:50 | 24/07/2016
Autoridades do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) estão pressionando contra o crescente coro de vozes que defende que a estrutura centenária do Banco Central americano precisa ser revisada para reduzir a influência dos banqueiros sobre suas operações e políticas.

A candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton, e o projeto de plataforma do partido ecoaram apelos por mudança feitos por ativistas de esquerda, uma proposta que pode ganhar mais atenção esta semana, durante a convenção democrata, na Filadélfia.

Em questão está o papel desempenhado pelos bancos privados nas 12 regionais do Fed, que supervisionam as instituições financeiras, as prestadoras de serviços financeiros e participam nas decisões de política monetária do banco central. Por lei, bancos privados elegem seis dos nove membros do conselho diretor de cada banco regional do Fed, escolhendo três para representar os bancos e três para representar o público. Os outros três diretores são indicados pelo conselho de governadores do Fed, para representar o público.

Críticos dizem que o modelo cria um conflito de interesse inerente, como "a raposa cuidando do galinheiro", e que isso tem resultado em pouca diversidade na liderança do Fed. "Reformas de senso comum - como deixar os banqueiros fora do conselho dos bancos regionais - estão muito atrasadas", declarou a campanha de Hillary em maio.

Os líderes do Fed têm defendido o status quo como eficaz, , em recentes comentários públicos e entrevistas, embora a presidente do Fed, Janet Yellen, tenha dito, durante depoimento ao Congresso em fevereiro, que "cabe ao Congresso considerar qual é a estrutura apropriada do Fed".

Enquanto isso, autoridades dos bancos regionais minimizaram o potencial conflito de interesse, lembrando que os diretores não estão envolvidos na supervisão bancária, e os diretores que representam os bancos privados não participam da escolha dos presidentes do Fed. Eles também veem valor em ter laços estreitos com a comunidade bancária.

O presidente do Fed de Filadélfia, Patrick Harker, disse que a maioria dos banqueiros em seu distrito são de pequenas empresas, e não as grandes instituições financeiras que podem preocupar reguladores. "O banqueiro de uma pequena cidade na Pensilvânia fornece um conhecimento incrivelmente importante" sobre as condições locais e "me preocupo em perder essa percepção", disse Harker. Ele concordou que banqueiros poderiam dar um contributo através de grupos consultivos, mas disse que tê-los no conselho, encontrá-los a cada 15 dias, oferece uma visão instantânea da economia e do sistema financeiro que seria difícil de substituir.

O presidente do Fed de Nova York, William Dudley, disse a repórteres em maio que "as disposições atuais estão trabalhando muito bem, em termos de preservar a independência do Federal Reserve em relação à condução da política monetária, e, na verdade, levando a resultados de sucesso" no que diz respeito a bater metas de emprego e inflação baixa e estável.

Outro problema para alguns defensores da mudança é a condição dos bancos regionais do Fed de instituições quase privadas/quase públicas. O conselho do Fed em Washington é uma entidade governamental total que supervisiona os bancos regionais do Fed. Mas, quando os bancos privados tornam-se membros do sistema do Fed, eles são obrigados a comprar ações e em troca recebem dividendos do Fed. Assim, os bancos privados em um certo sentido detêm os bancos regionais do Fed, embora eles não possam transferir ou vender as ações.

"É bastante indefensável para o Fed ser a única instituição reguladora" nos EUA "que é de propriedade do setor que regula", disse Ady Barkan, do centro para a campanha pela democracia popular do Fed.

Autoridades do Fed dizem que os críticos não entendem a estrutura de propriedade do banco central. A presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, disse em uma entrevista que o status quase privado dos bancos regionais ajuda a garantir a independência necessária para a boa formulação de políticas em uma nação economicamente diversa. Para ela, se os bancos regionais fossem totalmente parte do governo, o poder de Washington iria crescer, aumentando o risco de políticos influenciarem as discussões de política monetária.

"Sim, os bancos tem ações" no Fed, disse Mester. "Mas isso não quer dizer possuir o Fed no sentido de uma corporação, certo? Isso está garantindo que há uma representação do distrito como parte da estrutura do Fed", disse.

O líder do Fed de Richmond, Jeffrey Lacker, também teme a possibilidade de os bancos regionais se tornarem entidades puramente governamentais e que isso possa promover um pensamento de curto prazo que poderia levar a políticas de resultado ruim.

Fonte: Dow Jones Newswire

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