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Opinião: O lado positivo da ascensão de Trump

11:47 | 05/05/2016
Com a desistência de seus adversários, magnata tem tudo para ser o candidato republicano. É difícil de engolir, mas pode ser bom para a democracia americana e o próprio partido, opina o jornalista Michael Knigge. Donald Trump é um demagogo. Ele joga as pessoas contra as outras apelando aos seus instintos mais baixos. Sua campanha tem sido uma longa bravata alimentada por uma constante difusão de medo e da crença de que a solução para todos os erros do país está em uma figura autoritária como ele com a vontade de corrigi-los. Por todas essas razões, uma pessoa como Trump nunca deveria ter a permissão de disputar cargos públicos, e muito menos a presidência do país mais poderoso do mundo. Dito tudo isso, ainda assim, é bom e importante frisar que, após sua vitória em Indiana e desistência de seus dois últimos adversários, Trump é de fato o candidato do Partido Republicano à disputa pela Casa Branca. Primeiro, no momento em que a confiança nos partidos estabelecidos, nos políticos tradicionais, no sistema político e no processo democrático têm erodido dramaticamente como evidenciado pela ascensão de Trump e Bernie Sanders é crucial que as regras do jogo democrático não sejam mudadas no meio do caminho. Ao passar o rolo compressor sobre Ted Cruz em Indiana, Trump colocou um fim a qualquer esperança de seus rivais ou da liderança do Partido Republicano de talvez retirar, de alguma maneira, a sua nomeação como candidato republicano por meio de acordos de bastidores de última hora ou a mudança de regras em uma convenção de partido contestada. Tal cenário teria sido um desastre para o processo democrático, por mais falho que ele possa ser, e só alimentaria o ressentimento e desconfiança de muitos eleitores americanos. Dito de outra forma: Trump ganhou 28 primárias até agora em comparação com os 14 êxitos somados peles seus concorrentes mais próximos, Ted Cruz, John Kasich e Marco Rubio. Ele também superou seus rivais recebendo mais votos e mais delegados. Tudo isso faz de Trump o vencedor decisivo das primárias republicanas. É difícil de digerir, mas ele recebeu o direito de ser o porta-bandeira do Partido Republicano nas eleições presidenciais deste ano. Negar-lhe o direito seria apenas provar o que Trump recentemente usou de forma hábil para marcar grandes pontos políticos, quando disse que o sistema político é "manipulado". A vitória de Trump é também importante para o Partido Republicano ou o que restou dele. Por muito tempo, a uma vez orgulhosa legenda de Abraham Lincoln conseguiu evitar um longo e duro olhar introspectivo no que ela se tornou desde que permitiu que radicais do movimento ultraconservador Tea Party fizessem dela o que bem entendessem. Agora, o partido tem que enfrentar as consequências de seus próprios erros. Talvez uma primária em que seus dois principais candidatos, Trump e Cruz, tiveram sucesso ao insultar de forma explícita sua própria legenda daráfinalmente uma pausa ao Partido Republicano. Já é mais do que tempo para os republicanos conduzirem uma autópsia completa de sua história recente e mudar o curso. A terceira razão para a importância da nomeação de Trump: ela dá aos eleitores americanos a chance de mostrar que o magnata não fala pela maioria deles na eleição geral. É essencial para a saúde do sistema político que demagogos como Trump que têm um forte apoio do barulhento, mas comparativamente menor segmento dos eleitores que votam em primárias sejam colocados em seu lugar em novembro. A democracia americana é forte e vibrante suficiente para fazer isso. Michael Knigge é jornalista da redação inglesa da DW e especialista em política americana. Autor: Michael Knigge
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