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Fotógrafa posa nua em alguns pontos de Nova York para relembrar época escravagista

A nudez é para falar sobre a opressão, racismo e uma forma de relembrar um passo pouco lembrado. Os cenários escolhidos foram palcos de acontecimentos da escravidão

20:11 | 31/05/2016
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Uma fotógrafa norte-americana faz autorretratos em alguns pontos da cidade de Nova York para discutir a escravidão dos Estados Unidos. Os locais guardam lembranças e histórias da época escravocrata que foram esquecidos pelos norte-americanos. Nona Fautine, autora do ensaio, posa nua nos pontos da cidade utilizando apenas sapatos brancos. “Vestindo apenas esses simbólicos scarpins brancos, eu documento locais em que a história se mostra de forma tangível. Conjunto memórias, atuando ao mesmo tempo em protesto contra a escravidão”, explica Faustine à Folha de S.Paulo.
 
 
Faustine reforça ainda que a nudez retrata a opressão sofrida pelos negros há 200 anos. Além disso, os sapatos brancos representam “o patriarcado branco do qual as pessoas de cor não conseguem escapar” e os padrões ideais de beleza que as mulheres negras não conseguem alcançar.
 
Entre os cenários registrados pela fotógrafa, o Wall Street foi o mais marcante. Em meio a correria comum do centro financeiro da cidade, Nona não tinha previsão do que poderia acontecer. “Eu não sabia se conseguiria fazer as fotos sem ser presa ou atropelada. Mas consegui: fiquei no ponto em que escravos eram leiloados há 250 anos”.
 
 
Durante a produção das fotos, Nona Faustine tem momentos de reflexão e volta a um passado pouco lembrado. “Eu me planto em uma cortina do tempo, destruindo dimensões, evocando a memória e o espírito daqueles que construíram a cidade de Nova York, chorando por eles e celebrando-os como seres humanos”, afirmou.
 
A série fotográfica, denominada “White Shoes”, participou de algumas exibições coletivas no ano passado. As imagens também foram apresentadas no começo de 2016, em Nova York. “As mostras são uma chance de abrirmos portas para discutir os traumas e a injustiça da escravidão nos EUA”, explica.
 
Redação O POVO Online 
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