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Turquia prende jornalista holandesa que criticou Erdogan

13:09 | 24/04/2016
Ebru Umar, de origem turca, é detida em sua casa após reprovar presidente turco no Twitter. Dois mil processos contra críticos de Ancara, incluindo artistas e intelectuais, estão em andamento no país. A jornalista holandesa Ebru Umar foi detida neste domingo (24/04) em sua casa na Turquia após ter postado no Twitter críticas presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de acordo com a sua conta na rede social. "A polícia está na porta. Não é brincadeira", escreveu. Umar, de 45 anos e descendência turca, escreveu recentemente um artigo crítico a Erdogan, publicado pelo diário holandês Metro, do qual publicou posteriormente várias partes no Twitter. "Não sou livre", escreveu num segundo tweet, após a chegada da polícia a sua casa em Kusadi, cidade na costa oeste da Turquia. Os administradores do blog holandês Geenstijl afirmaram ter recebido uma mensagem de texto de Umar informando que ela será levada a tribunal na segunda-feira e que tinha sido detida depois de alguém ter denunciado os seus textos no Twitter num serviço de disque-denúncia criado pelas autoridades turcas. A "hashtag" #freeebru (libertem Ebru) está causando furor nas redes sociais na Holanda, com políticos e comentadores holandeses pedindo a libertação da jornalista. O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, anunciou que a embaixada holandesa na Turquia está em contato com a jornalista. O ministro holandês da Educação, Jet Bussemaker, considerou "absurdo que alguém possa ser preso por causa de um tweet", em declarações ao canal de televisão WNL. O Ministério do Exterior holandês informou que está acompanhando de perto o caso e que está em contato com as autoridades na Turquia. Incidente diplomático A jornalista havia escrito para o Metro sobre um incidente diplomático entre a Turquia e a Holanda. Na semana passada, provocou indignação no país europeu um texto do consulado turco em Roterdã dirigido às organizações turcas no país, pedindo o encaminhamento de quaisquer e-mails ou publicações nas redes sociais contendo insultos a Erdogan ou à Turquia. Rutte disse que iria pedir esclarecimentos a Ancara, e o consulado informou, através de uma nota, que o texto era de autoria de um funcionário, que usou "uma escolha de palavras infeliz", que foram mal interpretadas. A Turquia registra um sensível aumento de retaliações jurídicas contra críticos do governo Erdogan. Atualmente são cerca de 2 mil processos em andamento, muitos contra artistas, jornalistas e intelectuais, mas também contra cidadãos comuns. O governo turco também tenta no exterior influenciar manifestações contrárias a Ancara na arte e na imprensa. O diretor da Orquestra Sinfônica de Dresden, Markus Rindt, reclamou que a Turquia tenta impedir um projeto de concerto em memória do genocídio contra armênios. De acordo com Rindt, o embaixador da Turquia tentou apelar para que a União Europeia corte a subvenção que fornece à produção. Caso Böhmernann Também provoca discussões acaloradas na Alemanha a queixa do presidente turco contra o apresentador de televisão e comediante alemão Jan Böhmermann, acusado de injúria pelo presidente turco. Atendendo a pedidos de Ancara, Merkel autorizou o indiciamento do humorista pelo crime de ofensa a chefes de Estado estrangeiros. Em 31 de março, o comediante recitou em seu programa de TV um poema sobre o presidente turco, contendo referências sexuais explícitas, além de acusações de que Erdogan reprime minorias e maltrata curdos e cristãos. A queixa contra Böhmermann tem base no parágrafo 103 do Código Penal alemão, que prevê o crime de injúria a "órgão ou representante de Estado estrangeiro", com pena máxima de cinco anos. A lei determina que o governo autorize a investigação antes que ela seja aberta. MD/lusa/dpa/afp
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