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Premiê da Islândia renuncia após divulgação dos "Panama Papers"

13:23 | 05/04/2016
Primeiro-ministro islandês, Sigmundur David GunnlaugssonSigmundur David Gunnlaugsson diz que deixará o cargo em meio à pressão por suposto envolvimento em empresa ligada ao escritório panamenho Mossack Fonseca. Reykjavik é palco de protestos pela saída do primeiro-ministro. O primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur David Gunnlaugsson, renunciou ao cargo nesta terça-feira (05/04), em meio ao escândalo por seu suposto envolvimento nos chamados Panama Papers. "O primeiro-ministro disse na reunião do grupo parlamentar [de seu partido] que ele iria renunciar e que eu assumiria o cargo", afirmou o vice-presidente do Partido Progressista e ministro da Agricultura, Sigurdur Ingi Johannsson, à emissora RUV. Gunnlaugsson enfrentou forte pressão popular por sua renúncia, após alegações de que ele estaria envolvido com o escritório panamenho de advocacia e consultoria Mossack Fonseca. A firma se tornou o centro de um escândalo internacional após o vazamento de informações referentes a supostas práticas de sonegação fiscal por autoridades e celebridades de diversos países, nos Panama Papers. O premiê havia pedido a dissolução do Parlamento e convocação de novas eleições após a oposição solicitar a realização de um voto de desconfiança ao governo. Em seu perfil no Facebook, Gunnlaugsson afirmou que dissolveria o Parlamento e convocaria novas eleições "assim que possível" caso perdesse o apoio dos membros da coalizão governista. O presidente da Islândia, Olafur Ragnar Grimsson, rejeitou o pedido do primeiro-ministro, afirmando que iria consultar os líderes partidários antes de concordar em pôr fim ao governo de coalizão entre o Partido Progressista, de Gunnlaugsson, e o Partido da Independência. Empresa nas Ilhas Virgens Britânicas As revelações que envolvem Gunnlaugsson se referem à empresa Wintris, supostamente estabelecida em 2007 nas Ilhas Virgens Britânicas pelo premiê e sua esposa, Anna Sigurlaug Palsdottir, por meio da firma panamenha. Gunnlaugsson teria vendido sua parte da Wintris à Palsdottir, pelo valor de 1 dólar, no dia 31 dezembro de 2009, um dia antes da entrada em vigor de uma lei que o obrigaria a declarar a propriedade da empresa. Durante a crise financeira de 2008, que abalou fortemente a Islândia, a Wintris sofreu fortes abalos financeiros e exigiu compensações em um total de 4,2 milhões de dólares de três bancos islandeses, agora falidos. Gunnlaugsson é acusado por líderes da oposição de conflito de interesses por não divulgar sua participação na Wintris, que detinha ações dos três bancos falidos, cuja supervisão era responsabilidade do governo. O político nega as acusações. Após o vazamento, milhares de pessoas se reuniram nesta segunda-feira em frente à sede do Parlamento, na capital, Reykjavik, exigindo a renúncia de Gunnlaugsson. RC/afp/ap/rtr
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