PUBLICIDADE
Notícias

Quanto mais se sabe sobre o zika, pior é o cenário, diz OMS

16:21 | 22/03/2016
Diretora-geral da organização alerta sobre "crise de saúde muito severa" caso o vírus se espalhe para além da América Latina e do Caribe. No Brasil, Ministério da Saúde prevê expansão do surto no Sul e no Centro-Oeste. "Quanto mais sabemos sobre o zika, pior parecem as coisas", afirmou Margaret Chan, diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira (22/03). Até agora, a circulação do vírus já foi registrada em 38 países e territórios. "Ninguém pode prever se o vírus vai se espalhar para outras partes do mundo e provocar o aumento de casos de malformações e síndromes", disse Chan em relação à microcefalia e à síndrome Guillain-Barré, ligadas à infecção pelo zika. Até o momento, a epidemia se concentra em países da América Latina e do Caribe. "Se ela se espalhar para além desses territórios, o mundo vai enfrentar uma crise de saúde muito severa", alertou a diretora-geral, em coletiva de imprensa em Genebra. No Brasil, 4.268 casos de microcefalia estão sendo investigados. Houve 863 confirmações desde julho de 2015, quando o país alertou a OMS sobre uma possível epidemia. A região mais atingida é a Nordeste, com 833 recém-nascidos com a malformação congênita. Entretanto, estados em outras regiões não estão fora de risco, afirma o Ministério da Saúde. "Estamos prevendo uma expansão [do surto de zika e dos casos de microcefalia] nas regiões Sudeste e Centro-Oeste", afirma Claudio Maierovitch, diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do ministério "Sabemos que está crescendo a circulação nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Inclusive no estado do Paraná, que já é região Sul", adiciona. O futuro da epidemia Apesar de ter sido detectado em vários países da América Latina, o zika ainda não está circulando há tempo suficiente nesses locais para que houvesse maior registro de bebês com microcefalia e pacientes com Guillain-Barré. Segundo Chan, os casos de malformação são normalmente observados meses após o início da epidemia do vírus. Entre pesquisadores, o desenrolar do cenário também causa espanto. "A epidemia está se espalhando numa velocidade muito maior que antes esperada", comenta Christovam Barcellos, da Fundação Oswaldo Cruz. A princípio, cientistas no Brasil previam que o zika seguisse o comportamento do vírus da dengue e atingir as mesmas áreas. No entanto, essa percepção mudou: é possível que ele chegue a zonas onde a temperatura média esteja abaixo dos 20 graus, como é o caso da dengue. Nesse caso, países do hemisfério norte poderiam ser atingidos com mais força. "Ao mesmo tempo que existe potencial de expansão para outras partes do hemisfério norte, isso é amenizado pelo fato de o vírus ser transmitido pelo Aedes aegypti um mosquito que reside em países de clima tropical", ressalta Gary Nabel, chefe científico da desenvolvedora de vacina Sanofi, baseada nos Estados Unidos. No passado, o zika sofreu mutação, deixou de contaminar apenas macacos e passou a ocorrer também em seres humanos. Saiu da África e chegou à Polinésia Francesa nessa nova versão, que é a mesma que circula pela América Latina. A ciência não descarta que o vírus possa se transformar de novo para se adaptar a um novo clima. "Até agora, mosquitos de clima temperado não transmitem zika. Mas mudanças na gama de hospedeiros já foram observadas para outros vírus, como o chikungunya, e elas têm consequências profundas", pontua Nabel. Por suas características geográficas, países da Europa Central, sudeste da Austrália, nordeste da China, norte do Japão e parte do Oriente Médio estão na área de abrangência do clima temperado. Vacina e combate O risco de uma epidemia de zika se alastrar por países como Estados Unidos e causar malformação em recém-nascidos faz com que equipes de pesquisadores locais se dediquem ao tema. "O controle do vetor é especialmente importante para nós", comenta Nabel. No Brasil, o Ministério da Saúde espera que os investimentos em ações para eliminar criadouros do mosquito comecem a dar resultados a partir de abril. "Ainda não temos esses resultados medidos", afirma Maierovitch. De 2010 a 2015, o gasto para combater o mosquito cresceu 39%, passando para 1,2 bilhão de reais. Neste ano, o montante deve chegar a 1,8 bilhão de reais. Na avaliação de Chan, o mundo ainda carece de um teste rápido que diagnostique o vírus com segurança. Segundo a OMS, 30 companhias estão trabalhando na questão. O desenvolvimento de uma vacina também seria urgente. Atualmente, 23 projetos estão em andamento em 14 locais diferentes, nos Estados Unidos, França, Brasil, Índia e Áustria. A expectativa é de que os primeiros testes clínicos sejam realizados ainda no fim de 2016 até lá, a onda explosiva da epidemia já pode ter chegado ao fim. "Ainda assim, concordamos que o desenvolvimento da vacina é um imperativo. Mais da metade da população mundial vive em áreas onde o aedes aegypti está presente", afirma Chan. Autor: Nádia Pontes
TAGS