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Reino Unido diz que ainda pode prender Assange, apesar de decisão da ONU

08:40 | 05/02/2016
Um relatório de um painel da Organização das Nações Unidas determinou que Julian Assange, fundador do WikiLeaks, enfrenta uma "detenção arbitrária". Assange vive há três anos e meio na embaixada do Equador em Londres, para evitar ser detido. Após a divulgação da notícia, o governo do Reino Unido afirmou que nada mudou no caso e que, caso Assange deixe a embaixada, será detido. O governo da Suécia também informou que, para ele, nada mudou.

O painel da ONU, conhecido como Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária, recomendou que autoridades da Suécia e do Reino Unido deem a Assange liberdade de movimento e disse que ele tem o direito de pedir uma indenização.

Autoridades suecas, que já revelaram a decisão do painel um dia antes de sua divulgação oficial nesta sexta-feira, disseram na quinta-feira que discordavam das conclusões, mas não quiseram falar mais sobre o assunto.

Promotores suecos querem extraditar Assange para que ele seja questionado sobre as alegações de ataque sexual. Segundo eles, a decisão do painel da ONU "não tem impacto formal na investigação em andamento, segundo a lei sueca".

Assange nunca foi acusado formalmente e nega as alegações. Ele argumenta que os esforços das autoridades suecas são um prelúdio para que ele seja extraditado para os EUA e acusado de vazar milhares de documentos secretos norte-americanos. Os EUA por enquanto não acusaram Assange nem pediram sua extradição.

A decisão da ONU não tem força legal, lembraram autoridades britânicas e suecas, mas representa uma vitória no quesito relações públicas para Assange. A decisão do painel não foi unânime, já que o ucraniano Vladimir Tochilovsky discordou dos outros três membros votantes, por entender que o painel não podia se debruçar sobre o caso porque Assange não está detido, na avaliação dele. Um quinto membro do painel não se pronunciou, por ser uma australiana, como Assange.

O secretário das Relações Exteriores do Reino Unido, Philip Hammond, qualificou as conclusões do painel da ONU como "francamente ridículas". A chancelaria britânica disse em comunicado que contestará formalmente a opinião do painel. Fontes: Dow Jones e Associated Press.

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