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Presidente de Uganda é reeleito em pleito conturbado

14:48 | 20/02/2016
Yoweri Museveni, há 29 anos no poder, vence eleição em meio a denúncias de fraude, numa votação marcada pela desconfiança. Observadores internacionais apontam falta de transparência. A comissão eleitoral de Uganda declarou neste sábado (20/02) o presidente Yoweri Museveni, no poder no país há quase três décadas, como o vencedor das eleições presidenciais. O resultado foi contestado pela oposição. Segundo a comissão, o candidato opositor Kizza Besigye, do partido Fórum pela Mudança Democrática (FDC), teve 35% dos votos. O presidente da legenda divulgou uma declaração denunciando fraude nas apurações. "Convoco todos os ugandenses e a comunidade internacional a rejeitar e condenar a fraude e divulgá-la ao máximo possível", afirmou Mugisha Muntu. As eleições, realizadas na última quinta-feira, foram prejudicadas pela entrega tardia de materiais de votação, incidentes esporádicos de violência e pela desativação das redes sociais. Membros da oposição, em especial do FDC, foram hostilizados, e Besigye chegou a ser colocado sob prisão domiciliar na sexta-feira. Seus apoiadores organizaram uma passeata de protesto em Kampala, mas acabaram cercados pela polícia, que utilizou bombas de efeito moral e armas de choque contra os manifestantes. Um observador da União Europeia descreveu um ambiente intimidador durante as eleições, "criado principalmente por membros do governo". O chefe da missão europeia, Edward Kukan, denunciou a falta de transparência da comissão eleitoral e a desconfiança dos partidos políticos. O secretário-geral dos Estados Unidos, John Kerry, conversou por telefone com Museveni para ressaltar que o progresso de Uganda depende da "adesão aos princípios democráticos no atual processo eleitoral". Museveni, um aliado do Ocidente contra milícias islamistas, está no poder há 29 anos. Esta é a quarta vez que ele derrota Kizza Besigye, que, antigamente, era seu médico pessoal. Ele é elogiado por conduzir Uganda em meio a um forte crescimento econômico, mas enfrenta acusações de repressão contra dissidentes e de fracassar em lidar com a crescente corrupção no país, que tem 37 milhões de habitantes. RC/ap/dpa
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