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Morre ex-secretário-geral da ONU Boutros-Ghali

17:08 | 16/02/2016
Egípcio foi o primeiro africano a se tornar secretário-geral das Nações Unidas, em 1992. Seu mandato foi controverso e marcado pelos genocídios em Ruanda e na Bósnia e pela crise da fome na Somália. O ex-secretário-geral das Nações Unidas Boutros Boutros-Ghali, de 93 anos, morreu nesta terça-feira (16/02). A causa da morte não foi divulgada. O mandato do egípcio na ONU foi marcado pela guerra na antiga Iugoslávia, pela fome e pelo genocídio na África e pela confrontação com os Estados Unidos. Filho de cristãos coptas, Boutros-Ghali nasceu no Egito em 1922. Seu avô, Boutros Ghali Pasha, foi primeiro-ministro do Egito entre 1908 e 1910. Boutros-Ghali estudou no Cairo e em Paris. Entre 1992 e 1996 foi secretário-geral da ONU. Antes de entrar nas Nações Unidas, Boutros-Ghali trabalhou para os governos dos presidentes egípcios Anwar Al Sadat e Hosni Mubarak. Ele foi ministro do Exterior e assumiu outros cargos diplomáticos. Boutros-Ghali foi o primeiro africano a assumir o cargo de secretário-geral da ONU e também o primeiro líder da organização depois do colapso da União Soviética e do fim da guerra fria. Durante seu mandato, ele enfrentou a crise da fome na Somália e organizou a primeira operação de assistência ao país. Seu mandato foi marcado também por fracassos. Boutros-Ghali foi criticado por sua omissão durante os genocídios em Ruanda, em 1994, e na Bósnia, em 1995. Ele também é censurado por não ter insistido em uma intervenção da ONU para acabar com a guerra civil em Angola, que na época era um dos mais longos conflitos no mundo. "Maior fracasso" Numa entrevista à agência de notícias Associated Press, em 2005, Boutros-Ghali afirmou que o massacre em Ruanda, no qual 500 mil tutsis e hutus moderados foram mortos em cem dias, foi o seu maior fracasso nas Nações Unidas. No entanto, ele acusou os EUA, o Reino Unido, a França e a Bélgica de paralisarem ações, impossibilitando, assim, uma intervenção. Durante seu mandato, Boutros-Ghali chocou muitos em Sarajevo ao dizer que não estava tentando menosprezar os horrores na Bósnia, mas que havia outros países onde o número total de mortes era maior do que lá. Ele também foi responsável por conduzir uma reorganização na ONU, cortando postos e exonerando funcionários, o que lhe rendeu o apelido de faraó. Em 1996, os Estados Unidos vetaram a sua candidatura para um segundo mandato. Boutros-Ghali não havia conseguido fazer as reformas pretendidas pelos americanos na organização. Ele foi substituído por Kofi Annan. Depois de deixar a ONU, o egípcio foi secretário-geral da Organização Internacional da Francofonia até 2002. Boutros-Ghali faleceu no hospital Al Salam no Cairo. Segundo a imprensa egípcia, ele foi internado depois de fraturar a bacia. Ele era casado e não deixou filhos. CN/rtr/ap/lusa/afp
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