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Atentado em cidade síria faz 46 mortos; Kerry trabalha por trégua

09:50 | 21/02/2016
Pelo menos 46 pessoas foram mortas neste domingo em um ataque em Homs, no centro da Síria, enquanto os Estados Unidos continuavam a pressionar por uma trégua, anunciando um acordo "provisório" para a cessação das hostilidades.

Apesar dos fracassos dos esforços anteriores para instaurar um cessar-fogo, o secretário de Estado John Kerry anunciou em Amã "um acordo provisório" com a Rússia sobre os termos de uma trégua que "poderia começar nos próximos dias".

A multiplicação de protagonistas, as profundas divisões internacionais e a ascensão dos grupos jihadistas Estado Islâmico (EI) e Frente Al-Nosra, minam os esforços para uma resolução do conflito sírio, que em cinco anos fez mais de 260.000 mortos e forçou ao exílio mais da metade da população.

Além dos violentos combates em todas as frentes entre os vários beligerantes, um duplo atentado com carro-bomba atingiu neste domingo o bairro Al-Zahra, em Homs, fazendo 46 mortos e dezenas de feridos, a maioria civis, de acordo com Observatório Sírio dos Direitos Humanos direitos (OSDH).

O governador da província de Homs, em grande parte controlada pelo regime, evocou um balanço provisório de 25 mortos. O ataque ainda não foi reivindicado.

A televisão estatal exibiu imagens do local do ataque, mostrando colunas de fumaça, enquanto bombeiros tentavam extinguir focos de incêndio e soldados e civis tentavam resgatar de um veículo uma pessoa presa às ferragens.

No mês passado, um atentado duplo reivindicado pelo EI fez 22 mortos neste mesmo bairro de Homs.

Em outras frentes, os combates prosseguiam entre a forças do regime e os rebeldes, além de outros confrontos entre as forças curdas e jihadistas, ou ainda rebeldes e jihadistas.

A estes atores, soma-se o envolvimento militar de grandes potências no conflito: a Rússia apoia o regime com a sua aviação e a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos bombardeia o EI. E na semana passada, a Turquia iniciou ataques aéreos contra as forças curdas sírias perto da fronteira.

Esta situação muito complexa dificulta a aplicação de um acordo que seja acordado por todas as partes, apesar dos esforços da ONU e especialmente dos Estados Unidos.

Neste domingo, antes de uma reunião com o rei Abdullah da Jordânia, Kerry anunciou durante uma coletiva de imprensa em Amã que voltou a falar ao telefone com seu colega russo, Sergei Lavrov.

"Chegamos a um acordo provisório de princípio sobre os termos de uma cessação das hostilidades que poderia começar nos próximos dias", afirmou.

"Ainda não está concluído, mas espero que os nossos presidentes, o presidente (Barack) Obama e o presidente (Vladimir) Putin, possam conversar nos próximos dias para tentar completar este trabalho", acrescentou Kerry.

Contudo, Moscou anunciou no sábado que continuará a ajudar o regime do presidente Bashar al-Assad a combater os "terroristas".

"Estamos mais perto hoje de um cessar-fogo", assegurou o chefe da diplomacia americana, que negocia há vários dias com Moscou para a implementação deste componente do acordo internacional concluído em Munique, em 11 e 12 de fevereiro.

Kerry e Lavrov são os principais arquitetos do Acordo de Munique do Grupo Internacional de Apoio à Síria (ISSG), sob o qual 17 países e três organizações multilaterais concordaram com a "cessação das hostilidades" na Síria em princípio a partir de sexta-feira, 19 de fevereiro, mas os combates continuaram.

Com o regime considerando difícil a implementação do cessar-fogo, a oposição impondo condições quase inatingíveis e grupos jihadistas fora de controle, é difícil conceber uma trégua.
Além da Rússia, a Turquia, ferozmente hostil ao regime de Assad, disse que se reservava o direito de realizar "todos os tipos de operações" militares contra forças curdas na Síria, descritas como "terroristas".

O enviado da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, reconheceu que seus esforços para aproximar as partes e encontrar uma solução política eram complicados.

AFP
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