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Opinião: Merkel busca refúgio em lugares comuns

13:41 | 24/08/2015
Marcel Fürstenau, da redação alemã da DWNa questão do acolhimento de refugiados, chanceler federal alemã tem se eximido de adotar uma posição firme. No entanto, é sua obrigação liderar o movimento de apoio à causa, opina o jornalista da DW Marcel Fürstenau. Diante do agravamento da tragédia dos refugiados vindos de todas as partes, a cada dia o clamor vai se tornando mais alto: "Angela Merkel precisa quebrar seu silêncio!" Nas redes sociais chovem acusações contra a chanceler federal alemã. O assunto ocupa o topo da lista no Twitter, plataforma frequentada por muitos jornalistas. Políticos de todas as alas com exceção dos conservadores acusam a chefe do governo da Alemanha de inação. No fundo, os críticos têm razão. E, no entanto, precisam tomar cuidado para não ultrapassar o alvo, com suas exigências muitas vezes baratas. Pois não há quem disponha de uma fórmula segura para tratar o tema êxodo e refugiados seja no nível nacional ou no internacional. Precisa-se de uma estratégia confiável que seja sustentada, de boa vontade, por todas as forças políticas e pela tantas vezes evocada sociedade civil. Para tal é, de fato, urgentemente necessário um chamado, lançado pelos mais altos escalões. No nível governamental, ele só pode partir de Merkel, a chanceler federal eleita pelo Parlamento, cuja palavra tem mais peso do que todas as demais. De acordo com a Lei Fundamental Alemã, é ela quem determina as diretrizes da política. Na questão dos refugiados, contudo, a premiê precisa sobretudo indicar a direção. Não basta se manifestar usando lugares comuns. É mais do que óbvio que não existe justificativa para a violência contra os requerentes de asilo, a qual "não é digna do nosso país". Saindo da boca de Merkel, tal declaração é pouco demais. No interesse dos seres humanos em apuros que vêm até a Alemanha e aqui encontram apoio surpreendentemente amplo, é preciso que Merkel finalmente se posicione à frente desse movimento. Há numerosas possibilidades de emitir um sinal forte. Seria bom se houvesse uma declaração de governo no Parlamento, com o apoio de todas as bancadas. No entanto, devido ao recesso parlamentar de verão, tal alternativa está descartada pelo menos no curto prazo. E, no que se refere aos refugiados, é necessário presteza máxima. Então só resta a Merkel dar um primeiro passo, de forma francamente pessoal e explícita. Outra possibilidade seria uma declaração conjunta com o presidente Joachim Gauck. A política mais influente e o representante máximo da Alemanha poderiam emitir um sinal impossível de ignorar, com base na autoridade de seus cargos e a sua popularidade. Tal sinal também despertaria atenção e ressonância internacional. É lícito e necessário passar a mensagem de que a Alemanha espera de seus parceiros europeus uma maior disposição de acolher os refugiados. Está claro que há muito tempo os outros países sabem disso, pois é o que escutam constantemente dos ministros alemães. Mas seria ainda melhor se o país todo emitisse esse apelo voltado para dentro e para fora tendo à frente Merkel como porta-voz. Autor: Marcel FürstenauEdição: Luisa Frey
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