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Grupos de direitos humanos criticam repressão sangrenta no Egito em 2013

21:50 | 14/08/2015
Grupos internacionais de direitos Humanos disseram, nesta sexta-feira, que o governo egípcio falhou ao não demitir as autoridades responsáveis por uma das mais sangrentas repressões contra manifestantes do país.

Esta sexta-feira marcou o segundo aniversário da repressão na praça de Rabaah el-Adawiyah, no Cairo, onde foram assassinados cerca de mil apoiadores do ex-presidente Mohammed Morsi, que foi deposto por militares após manifestações massivas contra o governo.

Hackers invadiram o site do Aeroporto Internacional do Cairo nesta sexta-feira e postaram uma mensagem prometendo perseguir os culpados pelas mortes. "Vocês vão se afogar no sangue dos mártires que mataram", dizia a mensagem em árabe, turco e inglês.

De acordo com autoridades egípcias, a segurança foi reforçada em torno de grandes praças e em cidades de todo o país e alertaram que qualquer manifestação violenta será reprimida com rigor.

A organização de direitos humanos HRW, sediada em Nova York, recorreu ao Conselho de Direitos Humanos da ONU para criar uma comissão de inquérito internacional para punir os responsáveis pelo que chama de "massacre brutal". A notícia foi recebida com surpresa pelo ministro de Relações Exteriores do Egito, Ahmed Abu Zeid, que classificou a iniciativa como "ridícula" e uma interferência nos assuntos do país.

Segundo a agência de notícias Associated Press, em 2013, comandantes das forças de segurança egípcias deram carta branca para o uso de força letal contra os manifestantes após alegações de que os cidadãos estavam armados. Nenhuma autoridade foi penalizada e os detalhes de um inquérito sobre o caso jamais foram divulgados. Centenas de manifestantes permanecem detidos, incluindo um jornalista.

Para Abu Zeid, a sociedade egípcia, o Judiciário e o governo se apoiaram no fato de que o método de dispersão não violou a lei egípcia. Ele disse ainda que os responsáveis pelas mortes dos manifestantes tinham que responder aos ataques partidos pelos próprios manifestantes.

Em Paris, a Federação Internacional de Direitos Humanos disse que a atitude do governo "foi um marco sombrio na repressão contra a dissidência", aprofundando um "ciclo vicioso de violência e terrorismo". A organização também afirmou que o Egito não mostrou compromisso com a investigação imparcial e motivou a União Europeia a condenar a impunidade vigente. Fonte: Associated Press.

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