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Jean-Marie Le Pen não quer a filha como presidente da França

Após ser suspenso da Frente Nacional, ele afirmou ser ''escandaloso que semelhante princípios morais presidissem o Estado francês'', referindo-se à filha

06:29 | 05/05/2015
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O líder histórico da extrema-direita francesa, Jean-Marie Le Pen, rejeita no momento a ideia de que a filha, Marine, assuma a presidência da França, depois que ela o suspendeu da Frente Nacional (FN), o partido que ele fundou.

"Seria escandaloso que semelhantes princípios morais presidissem o Estado francês", disse em uma entrevista à rádio Europe 1, depois do que chamou de "traição" da filha, atual presidente da FN, que o suspendeu por suas últimas declarações polêmicas sobre o Holocausto e a imigração.

Ao ser questionado se deseja a vitória de Marine nas eleições presidenciais de 2017, o eurodeputado foi direto: "No momento, não".

De acordo com Le Pen, sua filha é um "pouco pior" que os partidos majoritários (o governante Partido Socialista e o conservador opositor UMP) porque "o adversário combate cara a cara", enquanto ela faz isto "pelas costas".

Suspensão

O líder histórico da extrema-direita francesa foi suspenso na segunda-feira, 4, da FN.

O afastamento de Le Pen da FN, da qual ele ainda é presidente de honra, foi decidido após uma reunião do comitê executivo, convocada para penalizar as recentes declarações de Le Pen sobre o Holocausto e a imigração.

Uma "Assembleia Geral extraordinária" da Frente Nacional será "organizada no prazo de três meses" para modificar seu status e retirar a "presidência de honra" de Le Pen.

Polêmicas declarações

"É uma traição. Eu expressei o desejo de que Marine Le Pen devolva o meu sobrenome", declarou à AFP o político veterano, de 86 anos.

Jean-Marie Le Pen, deputado no Parlamento Europeu, reiterou no começo de abril que as câmeras de gás foram um "detalhe" da história da Segunda Guerra Mundial. Poucos dias depois, em entrevista a um jornal de extrema direita, assegurou que era preciso "salvar a Europa boreal e o mundo branco

O líder de extrema direita defendeu ainda o marechal Pétain, chefe de Estado francês durante a ocupação e artífice da colaboração com a Alemanha nazista.

Marine Le Pen iniciou em 2011 a virada de página da Frente Nacional, abandonando os compromissos do partido com movimentos neonazistas e anti-republicanos, mas conservando uma linha nacionalista e contra a imigração.

A estratégia permitiu o avanço do partido nas eleições dos últimos anos, o que leva a FN a sonhar com a disputa presidencial de 2017.

AFP
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