PUBLICIDADE
Notícias

Netanyahu intensifica lobby para minar acordo com Irã

13:45 | 05/04/2015
Premiê israelense concede série de entrevistas a canais de TV americanos, no início de uma estratégia para pôr Obama sob pressão e evitar pacto final com Teerã. "Ainda há tempo para conseguir um acordo melhor", afirma. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, usou vários canais de TV americanos neste domingo (05/04), como NBC e CNN, para reiterar suas críticas ao entendimento alcançado com o Irã sobre a questão nuclear. A série de entrevistas sinaliza o início de uma ampla ofensiva israelense para tentar minar ou pelo menos reformular o acordo preliminar alcançado pelas seis potências mundiais com o Irã na quinta-feira passada. "Não estou tentando matar qualquer acordo. Estou tentando matar um mau acordo", comentou Netanyahu à NBC. "Esse acordo mantém uma vasta infraestrutura nuclear. Nenhuma centrífuga será destruída, nem uma única central nuclear será desligada." Um documento do gabinete de Netanyahu, elaborado por especialistas e obtido pela agência de notícias Associated Press, dá uma ideia dos argumentos que Israel vai levantar a partir de agora: focando, por exemplo, nos termos vagos sobre as inspeções às instalações nucleares. Segundo Netanyahu, o pacto é insuficiente para eliminar o risco de que Teerã tenha uma bomba atômica da qual Israel teme que venha a ser o primeiro alvo. Além disso, afirma o premiê, dá legitimidade a um país que prega a destruição do Estado judeu. "Ainda há tempo para conseguir um melhor acordo", afirmou à CNN. Netanyahu disse também que o acordo preliminar levantará as sanções contra o Irã rápido demais, o que dará ao regime de Teerã recursos para "aumentar sua maquinaria do terror no mundo todo". O presidente americano, Barack Obama, insiste desde o anúncio do entendimento com o Irã que um "bom acordo" foi alcançado. Em suas palavras, o resultado foi "de longe a melhor opção" para os EUA, seus aliados e o mundo inteiro. No entanto, o ceticismo de Netanyahu e suas críticas são compartilhadas pelos republicanos e também pela ala mais conservadora da bancada democrata. No mês passado, ele discursou no Congresso americano sobre o caso, num gesto que irritou a Casa Branca. Alguns países árabes, sobretudo as monarquias do Golfo, também receberam com suspeita o acordo, o que foi lembrado pelo premiê neste domingo. "Eu vou dizer o que vai acontecer", disse Netanyahu. "Eu acho que esse acordo vai desencadear uma corrida armamentistas entre os Estados sunitas", completou, em referência às monarquias do Golfo. O acordo alcançado em Lausanne, na Suíça, prevê que o programa de enriquecimento de urânio seja limitado e supervisionado internacionalmente por um período de até 25 anos. Além disso, estabelece o envio ao exterior ou a dissolução de 95% do urânio já produzido no Irã e o levantamento das sanções econômicas que pesam sobre o país. As negociações levaram apenas a um entendimento entre as partes. Um tratado final deve ser elaborado até o fim de junho, o que dá a Netanyahu pouco mais de dois meses. RPR/afp/rtr/ap
TAGS