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Cia. Paidéia leva universo infantil a palcos da Alemanha

13:03 | 30/04/2015
Espetáculo "Círculo de giz", encenado em Berlim e Düsseldorf, é resultado do intercâmbio entre a companhia paulistana e a alemã Grips Theater. Base para o texto foi peça chinesa que também inspirou Bertolt Brecht. Escrito em 1944, O círculo de giz caucasiano é um dos mais famosos textos de Bertolt Brecht. O que poucos sabem é que, para escrever a peça de teatro, o dramaturgo alemão baseou-se numa peça chinesa do século 14. O texto de Li Xigdan também serviu de base para uma nova versão do texto: Círculo de giz, escrita pelos alemães Armin Petras e Lara Kugelmann e direcionada ao público infanto-juvenil. Um projeto que chega aos palcos como resultado de um intercâmbio de cinco anos entre o centro berlinense Grips Theater e a companhia de teatro paulistana Cia. Paidéia. "Há anos buscávamos parcerias com a Alemanha. Já havíamos trabalhado com outros grupos, mas não de maneira tão elaborada como com o Grips Theater", diz Aglaia Pusch, fundadora da Paidéia. Dramaturgia moderna para crianças Um dos clássicos do teatro épico, o texto de Brecht é uma parábola sobre uma menina pobre, que resgata um bebê e coloca a própria vida em risco para cuidar dele. Anos mais tarde, ela se recusa a entregar a criança para a mãe. Em Círculo de giz, um menino hospitalizado decide encenar e dirigir uma peça que represente a história de sua vida. Ele escolhe uma fábula da China antiga e usa a mãe e os funcionários do hospital como atores. "É uma dramaturgia bem moderna. Teatro feito para crianças, mas que não faz concessões. É rico, desafiador e corajoso achar que teatro para crianças não precisa ser simples", diz o diretor do espetáculo, Amauri Falseti. O texto de Petras e Kugelmann lança mão da metalinguagem do teatro dentro do teatro para ilustrar o mundo da criança. Nele, sonhar ainda é possível, mesmo com todos os avanços tecnológicos que "antecipam valores e vivências". "A infância está doente no sistema em que vivemos. No Brasil, a qualidade de vida das crianças é mais negligenciada que na Alemanha. Mas problemas como falta de tempo, presença dos pais e consumo são universais", diz Falseti. Círculo de giz coloca a criança como protagonista. Ela comanda o espetáculo dentro do hospital, levantando questões, promovendo a discussão e ressaltando a importância dos primeiros anos de vida. "O mais legal desse intercâmbio é a possibilidade de se debruçar sobre a dramaturgia moderna alemã e fazer essa aproximação com o universo brasileiro. Colocamos nossa cara, nossa cultura num texto que trata de valores universais", completa o diretor. Parceria criativa O intercâmbio entre o Grips Theater e a Cia. Paidéia começou em 2011, quando ambos fizeram suas versões de Held Baltus, a primeira peça para crianças de Lutz Hübner. Já na segunda parceria, as companhias brasileira e alemã escolheram um tema comum, a água, e desenvolveram diferentes textos através de pesquisa e workshops. O atual e terceiro projeto nasceu de uma coincidência. "O Stefan [Fischer-Fels, diretor do Grips Theater] encontrou o Petras, que contou que estava escrevendo sua primeira peça para crianças e queria fazer no Grips. Ele comentou também que queria trabalhar com um grupo no Brasil que ele achava interessante, e, por acaso, éramos nós", conta Pusch. A versão do Grips Theater do espetáculo estreou em Berlim em fevereiro. A montagem brasileira tem sua estreia mundial no próximo sábado (02/05), em Berlim, e depois segue para Düsseldorf. A temporada paulistana de Círculo de giz no teatro Paidéia tem início no próximo dia 22 de maio. Autor: Marco Sanchez, de BerlimEdição: Luisa Frey
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