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Turíngia terá primeiro governador esquerdista da Alemanha

13:46 | 05/12/2014
Bodo Ramelow, novo governador turíngioBodo Ramelow obtém exata maioria e vai governar Turíngia pelos próximos cinco anos. Escolha é encarada com desconfiança no meio político, pois partido A Esquerda tem origem no SED, que regia a antiga Alemanha comunista. A Alemanha elegeu nesta sexta-feira (05/12) seu primeiro governo estadual sob o comando do partido A Esquerda: Bodo Ramelow, de 58 anos, foi escolhido para reger o estado da Turíngia, no leste da Alemanha, pelos próximos cinco anos. A coalizão formada pela Esquerda e os partidos Social-Democrata (SPD) e Verde garantiu a Ramelow 46 votos, uma maioria absoluta apertada na assembleia estadual composta por 90 parlamentares. Além de marcar o fim de 24 anos de domínio da conservadora União Democrata Cristã (CDU) na Turíngia, a troca do comando no estado por um esquerdista também chama a atenção devido às origens de seu partido. O A Esquerda é o sucessor do Partido do Socialismo da Alemanha (PDS), constituído em 1989 a partir do Partido Socialista Unitário da Alemanha (SED), que governou com mão de ferro a extinta República Democrática Alemã (RDA). Uma parte dos políticos alemães entre eles a chanceler federal Angela Merkel e o presidente Joachim Gauck recebeu a escolha com reservas. Ramelow, no entanto, garantiu aos opositores da CDU e da Alternativa para Alemanha (AfD), populista de direita, que todos trabalharão em conjunto, apesar das diferenças ideológicas. Sombra da Stasi A aliança de governo entre esquerdistas, socialistas e verdes na Turíngia apresentou seu programa de coalizão 15 dias atrás, dois meses depois de o A Esquerda conquistar 28% de votos nas eleições estaduais. Quanto mais a data para escolha do futuro governador se aproximava, maiores as desconfianças no meio político alemão sobre a legenda, ainda percebida comosombra do Stasi, a polícia secreta da comunista RDA. "O partido que vai apresentar o governador está realmente distante da ideia de repressão que tinha o antigo SED, para que possamos confiar nele?", chegou a questionar Gauck. A presidente esquerdista, Katja Kipping, rebate as suspeitas, afirmando que sua legenda merece confiança. Ela ressalta que ainda no início dos anos 1990 o então PDS já havia determinado que seus integrantes com mandato parlamentar ou governamental teriam que revelar eventuais atividades de cooperação com o Stasi. Lidar com o passado As principais críticas aos esquerdistas são disparadas pela CDU da premiê Merkel, que desde a queda do Muro de Berlim tinha atritos com o PDS embora os democrata-cristãos tenham se mantido firmes ao lado da SED até 1989. À medida que a eleição do governador turíngio se aproximavam, os conservadores cristãos intensificaram seus ataques. "Só porque hoje não são mais de esquerda, eles estão livres de qualquer dúvida sobre o que fizeram no passado?", reclama Kipping, ressaltando que há anos seu partido vem tentando lidar com o estigma, que afeta também a nova geração de políticos. Questionada se não seria mais fácil ter extinto o SED em 1989 e fundado uma nova legenda, a líder esquerdista rebate que "um quarto de século depois, sempre dá para dizer coisas inteligentes". "Mas acredito que na época a motivação foi não se esquivar do legado e assumir a responsabilidade", resume. Em dezembro de 1989, o SED anunciou numa convenção o rompimento com o stalinismo, excluiu seus antigos líderes e se desculpou à população pelos desmandos. O número de filiados caiu de 2,3 milhões para 220 mil. Hoje, passados 25 da queda do Muro, o partido conta 64 mil membros, um terço dos quais nos estados do oeste. MSB/dw/dpa/rtr
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