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Premier do Haiti renuncia em meio a crise política

Renúncia não foi surpresa, pois possibilidade havia sido sinalizada na semana passada. O senador opositor Francisco Delacruz disse que "a saída do premier é um sinal positivo

15:31 | 14/12/2014
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O primeiro-ministro do Haiti, Laurent Lamothe, anunciou neste domingo a sua demissão, em meio a uma grave crise política no pequeno país, extremamente pobre, que provocou protestos violentos.

"Deixo o cargo de primeiro-ministro esta noite com o sentimento de dever cumprido", disse Lamothe em um pronunciamento à nação, divulgado pelo Ministério das Comunicações em sua conta no Twitter.

"Se isto pode realmente resolver a crise política, decidi apresentar esta noite ao presidente Michel Martelly minha demissão da chefia de governo, bem como a demissão de todos os ministros", disse.

"Espero, do fundo do coração, que o trabalho notável do meu governo não se perca, e que haja outras grandes realizações para o nosso país e o próximo premier". Segundo ele, seu trabalho levou à redução da pobreza e da criminalidade.

"Muito tarde. Muito pouco", reagiu André Michel, um jovem advogado contrário ao regime, que anunciou o prosseguimento da mobilização popular.

O senador opositor Francisco Delacruz disse que "a saída do premier é um sinal positivo. A crise pode ser resolvida em uma semana, mas faltam vontade e determinação por parte dos políticos." Ele sugeriu a colocação em prática de um governo de consenso para organizar as próximas eleições.

Renúncia

A renúncia de Lamothe não foi uma surpresa. O presidente haitiano, Michel Martelly, havia indicado, na última sexta-feira, que o chefe de governo estava disposto a se afastar do cargo para facilitar uma saída para a crise política que impediu a organização de eleições parlamentares nos últimos três anos.

"Reconheço esta decisão que ele toma para ajudar a encontrar uma saída para a crise. Cumprimento-o por sua coragem e determinação em ajudar o Haiti", elogiou Martelly. Um homem morreu hoje baleado em novas manifestações na capital pela demissão de Lamothe e Martelly.

Centenas de jovens tentaram ultrapassar as barreiras policiais e entrar no palácio presidencial, o que gerou tumultos. Há semanas os partidos de oposição manifestavam-se para pedir a saída do chefe de governo, amigo do presidente Martelly, cuja renúncia era reclamada por outros grupos políticos.

Uma comissão criada pelo presidente recomendou na semana passada a renúncia de Lamothe. Também aconselhou que o conselho eleitoral fosse dissolvido e os presos políticos, libertados. "Aceito as propostas da comissão. Concordo com este relatório, que gera uma esperança de união no Haiti. Vamos começar a trabalhar rapidamente para colocá-lo em prática", afirmou Martelly na última sexta-feira.

Os manifestantes exigem a convocação de eleições, que o governo não conseguiu organizar no fim de outubro, como estava planejado. Ainda não há uma nova data para a votação. O Haiti aguarda as eleições legislativas e municipais há mais de três anos, e o mandato do Parlamento termina no próximo 12 de janeiro.

Martelly, que terá que nomear um novo premier em acordo com os presidentes das duas câmaras do parlamento, disse que se encontrará a partir desta segunda-feira com os outros personagens da crise para aplicar as recomendações da comissão.

A chegada ao fim deste mandato pode criar um vazio político que permitiria ao presidente comandar sozinho o país, mediante decretos. Seus opositores o acusam de querer instaurar uma nova ditadura no Haiti. A crise política fez com que, na última sexta-feira, os Estados Unidos reiterassem seu pedido de realização de um novo pleito.

"As eleições são fundamentais para o desenvolvimento democrático do Haiti, e para a sua reconstrução e desenvolvimento", advertiu a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Jennifer Psaki, em entrevista coletiva.

AFP
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