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Cerimônia marca fim da missão de 13 anos da Otan no Afeganistão

10:43 | 28/12/2014
As forças da Otan no Afeganistão (Isaf) celebraram neste domingo com uma cerimônia oficial sua saída do país após 13 anos de combates, dias antes do fim efetivo de sua operação, previsto para 1º de janeiro. "Juntos tiramos o povo afegão das trevas do desespero e demos a ele esperança no futuro", declarou o general John Campbell ante os soldados da Otan em uma cerimônia solene.

"Tornaram o Afeganistão mais forte e nossos países mais seguros", acrescentou. A Aliança Atlântica comunicou os detalhes desta cerimônia no último minuto para evitar eventuais atentados por parte dos talibãs, que atacaram a capital afegã em várias ocasiões nos últimos anos e que ainda mantêm uma insurreição armada.

[SAIBAMAIS 1] A missão "Apoio Decidido", de ajuda e formação do exército afegão, assumirá o lugar no dia 1º de janeiro da missão de combate da Isaf, que perdeu 3.485 soldados desde 2001. Cerca de 12.500 militares continuarão, no entanto, no Afeganistão para ajudar os 350.000 efetivos das forças de segurança, que enfrentam sozinhos a partir de agora a insurreição talibã. Os talibãs dirigiram o país entre 1996 e 2001.

Em seu auge, em 2011, as forças da Otan contaram com até 130.000 soldados procedentes de cinquenta países. A cerimônia, realizada no quartel-general da força aliada em Cabul e na qual a bandeira da Otan em Cabul foi arriada, foi classificada de fracasso pelos talibãs.

"Os 13 anos de missão americana e da Otan foram um fracasso absoluto no Afeganistão. A cerimônia de hoje é seu fracasso", declarou à AFP o porta-voz talibã, Zabihullah Mujahid. Já o presidente americano, Barack Obama, declarou em seu discurso de Natal que "em poucos dias nossa missão de combate no Afeganistão terá terminado" e disse que "nossa guerra mais longa terminará de maneira responsável".

Mas a recente violência, sobretudo em Cabul, coloca em evidência as dificuldades que a próxima força internacional enfrentará para ajudar na luta contra a insurreição dos talibãs. Segundo as Nações Unidas, as vítimas civis aumentaram 19% em 2014, com 3.188 mortos até o fim de novembro. Além disso, mais de 4.600 membros da polícia e do exército afegãos perderam a vida nos 10 primeiros meses de 2014, ou seja, um balanço de falecidos maior que o da Otan em todos esses anos.

Desde 2001, a comunidade internacional destinou bilhões de dólares ao Afeganistão, mas sua eficácia é relativa diante da corrupção no país. Em 2014, a eleição presidencial, que deveria significar um símbolo da reconciliação no país após uma transição democrática sem erros, esteve caracterizada pelas acusações de fraude entre os dois candidatos no segundo turno.

Finalmente, a comissão eleitoral deu a vitória a Ashraf Ghani contra seu rival Abdullah Abdullah. Os dois homens, que deveriam formar um governo de unidade nacional, ainda não entraram em acordo para nomear os ministros três meses depois da posse do presidente. Já os talibãs esperam aproveitar este vazio político para se manter em uma posição de força em caso de eventuais negociações com o novo governo.

Os ataques dos talibãs nas últimas semanas em Cabul tiveram como alvo residências de estrangeiros, comboios diplomáticos, ônibus e o exército afegão, assim como o centro cultural francês. O ex-presidente afegão Hamid Karzai (2001-2014) iniciou negociações preliminares com os talibãs, mas elas fracassaram no ano passado.

Antes do fim de 2015, as tropas americanas serão reduzidas à metade no Afeganistão. E no fim de 2016 apenas um contingente residual será mantido para proteger a embaixada em Cabul. Os Estados Unidos continuarão fornecendo apoio aéreo aos afegãos e poderão intervir diretamente em caso de um rápido avanço dos talibãs.

AFP
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