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Violentas manifestações em Ferguson após veredicto do caso Brown

O caso reavivou as tensões raciais e provocou manifestações que muitas vezes terminaram em distúrbios

11:30 | 25/11/2014
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Manifestantes queimaram edifícios, saquearam lojas e atiraram contra a polícia na cidade de Ferguson, estado de Missouri (nordeste dos Estados Unidos), após o anúncio de que o policial branco que matou um jovem negro desarmado em agosto não será indiciado.

 O policial branco Darren Wilson, de 28 anos, matou no dia 9 de agosto o jovem negro Michael Brown, de 18 anos, com seis tiros, quando a vítima estava desarmada e em plena luz do dia em uma rua de Ferguson.
O caso reavivou as tensões raciais e provocou manifestações que muitas vezes terminaram em distúrbios.

 Doze edifícios foram incendiados e pelo menos 150 tiros foram disparados contra os agentes, afirmou o chefe de polícia do condado de St. Louis, John Belmar.
A polícia não respondeu aos tiros e 29 manifestantes foram detidos, sem o registro de vítimas, informou o chefe de polícia.
O governador de Missouri, Jay Nixon, convocou a Guarda Nacional para restaurar a ordem.

[SAIBAMAIS1]Os manifestantes não atenderam o apelo por calma do presidente americano Barack Obama e da família de Michael Brown.
Obama destacou que todos os protestos deveriam ocorrer de "maneira pacífica" e que polícia deveria atuar com moderação.
A família de Brown não escondeu o desapontamento com a decisão do júri, mas pediu calma aos manifestantes.

 "Estamos profundamente decepcionados de que o assassino do nosso filho não tenha que sofrer as consequências de seus atos", declarou a família de Brown em um comunicado, no qual pediu "respeitosamente que qualquer manifestação seja pacífica".

 Pouco depois do anúncio da decisão, manifestantes passaram a atirar objetos contra os policiais, aos gritos de "sem justiça não há paz".
A polícia informou que foi alvo de uma bomba incendiária e lamentou o incêndio em uma de suas viaturas.
Os gritos de protesto foram ouvidos em Times Square, Nova York, e na capital capital Washington, onde centenas de manifestantes criticaram a decisão da justiça.

 "O dever de um grande júri é separar os fatos da ficção", afirmou o promotor de St. Louis, Robert McCulloch.

 "Os juízes determinaram que não há razão suficiente para apresentar acusações contra o policial Wilson", completou.

 "Não há dúvida de que o policial Wilson provocou a morte de Michael Brown", disse, ao mencionar um "falecimento trágico".

 Os 12 jurados, nove brancos e três negros, realizaram um trabalho "completo e profundo", escutaram 70 horas de depoimentos de quase 60 testemunhas, examinaram centenas de fotografias e ouviram três médicos legistas.
O governador do estado de Missouri, Jay Nixon, já havia decretado estado de emergência, convocado a Guarda Nacional e reforçado o número de policiais nas ruas ante a possibilidade de protestos.

 O veredicto foi anunciado após a morte no fim de semana em Ohio (norte do país) de um adolescente negro de 12 anos. A vítima foi atingida por tiros de policiais quando estava com uma pistola de brinquedo, o que provocou o temor de novos protestos violentos.

 O episódio da morte de Brown aconteceu após a denúncia de um roubo em uma loja de Ferguson.
As testemunhas afirmam que Brown, um estudante do ensino secundário, estava com os braços para o alto quando foi baleado. Wilson alegou que agiu em legítima defesa por temer um ataque.

 Depois de ser baleado, o corpo do jovem permaneceu na rua durante horas, um fato que foi considerado pelos manifestantes como um sinal de desprezo das forças de segurança pela população negra.

 Quase 70% da população de Ferguson é negra, mas as autoridades políticas e policiais são majoritariamente brancas.

AFP
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