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Premiê turco diz que mulheres não podem ser iguais a homens

16:08 | 25/11/2014
O presidente islamita conservador turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou nesta segunda-feira que as mulheres não podem ser iguais aos homens e defendeu que o lugar da mulher na sociedade é a maternidade.

Acostumado a declarações provocadoras, principalmente sobre a religião, o chefe de Estado decidiu atacar as feministas diante de um público majoritariamente feminino reunido para um evento sobre justiça e mulheres.

"Nossa religião definiu um lugar para as mulheres: a maternidade", disse Erdogan.

"Algumas pessoas entendem isso, outras não. Não é possível explicar isso às feministas, porque não aceitam a própria ideia de maternidade", acrescentou.

O chefe de Estado ressaltou que homens e mulheres não podem ser tratados da mesma forma porque "vai contra a natureza humana". "Não se pode pedir que uma mulher faça todos os tipos de trabalho que um homem faz, como nos regimes comunistas", acrescentou.

O partido de Erdogan,  que dirige a Turquia desde 2002, é regularmente acusado de autoritarismo e de querer islamizar a sociedade turca, principalmente limitando os direitos das mulheres.

O presidente provocou em diversas ocasiões a ira dos movimentos feministas turcos ao tentar limitar, sem sucesso, o direito ao aborto ou recomendar às mulheres que tenham ao menos três filhos.

O vice-primeiro-ministro, Bulent Arinc, ilustrou recentemente esta questão, primeiro recomendando as mulheres a não rir em voz alta, em nome da "decência", e depois criticando aquelas que dançam em torno de uma barra vertical.

Os grupos de defesa das mulheres denunciam regularmente as declarações sexistas do governo, que acusam de incentivar a violência doméstica.

Segundo eles, mais de 200 mulheres foram mortas na Turquia por seus maridos ou parceiros desde o início do ano.

"Erdogan cometeu publicamente um crime de incitação ao ódio", considerou nesta segunda-feira Aylin Nazliaka, uma deputada do Partido Republicano do Povo (CHP, social-democrata), acusando o chefe de Estado de querer lançar ao ostracismo as mulheres. "Vou continuar a combater este homem que não vê nenhuma diferença entra os terroristas e as feministas", acrescentou.

AFP
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