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Ministro alemão do Exterior quer levar expertise do Muro às duas Coreias

15:05 | 03/11/2014
Na aldeia fronteiriça de Panmunjom, a ideia de reunificação pacífica das Coreias parece absurda. O ministro Frank-Walter Steinmeier visitou localidade e ofereceu um pouco da experiência obtida com a divisão da Alemanha. Localidade de Panmunjom, zona desmilitarizada: Um guarda de fronteira norte-coreano se aproxima da janela da caserna do meio e olha para dentro, com o nariz quase no vidro. Então aparece um rosto diante dele, bem perto, de óculos e cabelos brancos. Por um momento, o ministro do Exterior da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, e o soldado norte-coreano anônimo se olham diretamente nos olhos, muito perto um do outro. Em seguida, o soldado se vira. As três famosas casernas azul claro estão na Joint Security Area, zona de segurança entre o norte comunista e o sul democrático. As construções ficam no meio da linha de demarcação. Duas delas servem para reuniões de ambos os lados, a do meio pode ser visitada por delegações. Uma porta dá para a Coreia do Norte, a outra, para a Coreia do Sul. Dentro da barraca há mesas, e é possível se mover livremente no ambiente. Mas os grupos de visitantes de cada lado não se misturam: segundas e terças-feiras são fechadas para visitantes da Coreia do Norte, sábados e domingos, para os sul-coreanos. Para a delegação do ministro do Exterior alemão, foi aberta uma exceção no sábado. Tiros na semana anterior O ambiente lembra um museu a céu aberto. "Mas não se esqueça, estamos na última linha de confrontação da Guerra Fria", lembra o major-general suíço Urs Gerber. Ele lidera a delegação suíça da Comissão de Supervisão da Neutralidade das Nações, que monitora a zona desmilitarizada. No terreno onde fica a linha de demarcação, estão enterradas mais de três milhões de minas. A Coreia do Norte tem um efetivo militar de 1,2 milhão de soldados, e a Coreia do Sul, 600 mil. Na semana passada mesmo, houve troca de tiros. Não houve feridos, mas a tensão foi alta. Aqui em Panmunjom, a ideia de uma Coreia reunificada parece absurda. E, no entanto, este é justamente o tema central da viagem de Steinmeier: os alemães têm uma experiência especial nesse campo. "Nós não nos apresentamos aqui como professores", garante o ministro. "Mas contamos com prazer sobre o que interessa aqui, sobre nosso comportamento nos anos de divisão e no período pouco antes da reunificação." Junto com seu colega sul-coreano, Yun Byung-se, Steinmeier lançou um grupo consultivo para discutir aspectos de política externa em torno da unificação. O grupo se reuniu pela primeira vez neste fim de semana. Os participantes alemães trazem sua experiência para as reuniões: desde a autorização de passagem, que permitiu novamente a reunião familiar sob a Cortina de Ferro, passando pela política de distensão até a fundação da CSCE, a Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa. A retrospectiva deixa claro que a chave são as decisões políticas de longo prazo. Só assim pode ser construída confiança entre os atores internacionais. Neste caso, os principais envolvidos são as potências protetoras das duas Coreias: os Estados Unidos, do lado da Coreia do Sul, e a China, do lado da Coreia do Norte. "A China já não se fecha para conversações sobre o futuro da Coreia do Norte. Este é um novo desenvolvimento", constata o ministro alemão. Comparação limitada Mas a divisão da Alemanha e a das Coreias só podem ser comparadas até certo ponto. Nenhum dos dois estados alemães tinha armas nucleares. Erich Honecker não era Kim Jong-un. A Alemanha Oriental nunca foi tão isolada do mundo como a Coreia do Norte. Setenta anos de separação não produziram diferenças visíveis apenas econômica e tecnologicamente: o coreano do norte é, em média, sete centímetros e meio mais baixo que seu compatriota do sul, por exemplo. Eles mal conseguem se comunicar, tais as diferenças linguísticas e culturais que ocorreram nesse tempo. Mas algumas coisas ainda podem ser comparadas: muito lentamente, o progresso tecnológico vai entrando na Coreia do Norte, cada vez mais informações vindas da China e da Coreia do Sul chegam ao país. Na antiga Alemanha Oriental, foram os canais de televisão ocidentais que mostraram aos cidadãos isolados como era realmente o mundo lá fora.
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