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Carta histórica do FBI chama Martin Luther King de 'besta do mal'

Anônima e com apenas uma página, ela foi enviada em 1964 a King, que é chamado de uma ''completa fraude'', uma ''besta maléfica e anormal''

16:10 | 13/11/2014
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Uma carta cheia de ódio escrita pelo FBI e enviada ao ícone dos direitos civis nos Estados Unidos, Martin Luther King, tornou-se pública na íntegra pela primeira vez.

Anônima e com apenas uma página, ela foi enviada em 1964 a King, que é chamado de uma "completa fraude", uma "besta maléfica e anormal", e ameaça expor seus casos de infidelidade conjugam em uma aparente tentativa de fazê-lo cometer suicídio.

Cópias redigidas da missiva circularam por anos, mas o jornal americano The New York Times publicou, nesta quinta-feira, 13, uma nota quase completa, apagando o nome de uma mulher.

A carta destaca a atitude hostil do Birô Federal de Investigação, na época administrado por J. Edgar Hoover, em relação a King e o movimento de direitos civis.

Segundo o jornal, o autor foi um dos agentes de Hoover, William Sullivam, que teria também enviado uma gravação de áudio contendo evidências dos casos extraconjugais de King.

"Escute a você mesmo, seu animal sujo e anormal", diz a carta. "Você foi gravado - todos os seus adultérios, suas orgias sexuais, até as mais antigas. Essa é apenas uma pequena amostra".

Quando King recebeu a carta, disse a amigos que alguém queria que ele se mantasse, noticiou o New York Times.

A carta prosseguia dizendo: "só há uma coisa que você pode fazer. Você sabe o que é", em um aparente incentivo para que se matasse.

A carta foi produzida de modo a parecer que veio de alguém de dentro do movimento dos direitos civis, contendo uma referência a "nós, pretos".

"Você não pode acreditar em Deus e agir da forma que age", critica. "É evidente que você não acredita em nenhum princípio moral", prossegue.

O documento fornece uma ilustração convincente do quão paranoico o FBI tornou-se sob o comando de Hoover, cujo nome ainda é adorna o quartel-general do FBI, em Washington.

Hoover acreditava que King estava sendo influenciado por comunistas e o líder dos direitos civis acusava o FBI de falhar na luta pelo fim da violência contra os negros no sul segregado do país.

Em 1963, King fez seu discurso "I Have a Dream" (Eu tenho um sonho), em Washington, durante uma maciça passeata na capital americana.

A marcha ajudou a definir o cenário para a Lei dos Direitos Civis em 1964, tornando ilegais as principais formas de discriminação racial. Um ano depois, se seguiu a Lei dos Direitos de Voto, com o objetivo de assegurar o direito ao voto a todos os cidadãos negros americanos.

King foi morto em 1968 por um franco-atirador.

 

AFP

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